As ações da Amazon (NASDAQ: AMZN) disparam mais de 10% em Wall Street nesta sexta-feira (31), após a companhia divulgar um resultado trimestral acima das expectativas do mercado. O desempenho, impulsionado principalmente pela divisão de computação em nuvem (Amazon Web Services – AWS), animou os investidores e levou grandes bancos a revisarem para cima o preço-alvo da ação.
O lucro por ação (EPS) da empresa alcançou US$ 1,95, superando as projeções de US$ 1,57. Já a receita total atingiu US$ 143,3 bilhões, alta de 13% na comparação anual e ligeiramente acima das estimativas de Wall Street, que esperava US$ 141 bilhões. O forte desempenho reflete a consolidação da Amazon como uma das principais vencedoras do novo ciclo de inteligência artificial e computação em nuvem.
AWS lidera o crescimento e surpreende o mercado
O destaque do trimestre foi a Amazon Web Services (AWS), divisão de serviços em nuvem que registrou crescimento de 20%, chegando a US$ 33 bilhões em receita — o maior salto desde 2022. A performance robusta surpreendeu analistas, que previam expansão próxima de 17%.
O crescimento reforça a recuperação da AWS após um período de desaceleração observado no início de 2024, quando a redução de custos corporativos afetou a demanda por soluções em nuvem. Na teleconferência de resultados, o CEO Andy Jassy destacou que a AWS dobrou sua capacidade desde 2022 e deve dobrar novamente até 2027, apoiada em investimentos pesados em infraestrutura de IA.
“Estamos vendo um ciclo de renovação tecnológica sem precedentes, com clientes de todos os setores migrando para a nuvem e integrando IA generativa aos seus negócios. A AWS está posicionada no centro dessa transformação”, afirmou Jassy.
Investimentos em IA e o Projeto Rainier
O otimismo também foi impulsionado pelos avanços da Amazon em inteligência artificial (IA). Nesta semana, a empresa inaugurou o Projeto Rainier, um novo data center dedicado a IA, com investimento de US$ 1,1 bilhão. A iniciativa reforça a estratégia da gigante de Seattle de competir diretamente com Microsoft (Azure) e Google (Cloud) na corrida global por soluções de IA generativa e processamento avançado.
Com o avanço do negócio de nuvem e os novos projetos em IA, a Amazon elevou sua previsão de investimentos para 2025, agora em US$ 125 bilhões, valor que pode crescer ainda mais em 2026. O foco será em expansão de data centers, chips próprios e integração de modelos de IA em suas principais plataformas — do e-commerce ao streaming.
Wall Street revisa projeções e reforça recomendação de compra
Após o balanço, grandes bancos de investimento revisaram suas projeções para as ações da Amazon.
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O Morgan Stanley elevou o preço-alvo de US$ 230 para US$ 275, destacando o “forte ciclo de crescimento da AWS” e o “ganho de eficiência operacional” da companhia.
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O Goldman Sachs também revisou o preço-alvo, de US$ 275 para US$ 290, mantendo recomendação de compra e ressaltando que o desempenho “marca o início de uma nova fase de aceleração no negócio de nuvem e IA”.
Os analistas do Goldman destacam que a AWS, que representa cerca de 60% do lucro operacional da Amazon, continua sendo o motor de valorização das ações. Além disso, o braço de publicidade digital — que cresceu 23% no trimestre — reforça a diversificação de receitas da companhia.
Desempenho das ações
Por volta das 12h17 (horário de Brasília), as ações da Amazon subiam 10,6%, cotadas a US$ 246,31 na Nasdaq, atingindo o maior nível desde agosto de 2022.
Os BDRs da Amazon (AMZO34), negociados na B3, acompanhavam o movimento, em alta de 2,6%, a R$ 66,31. Com o salto, a empresa recupera parte das perdas acumuladas em setembro e volta a figurar entre as cinco companhias mais valiosas do mundo, com valor de mercado acima de US$ 1,3 trilhão.
Perspectivas para 2026: foco em margens e IA
Os analistas avaliam que o crescimento sustentável da AWS, aliado à expansão do ecossistema de IA, coloca a Amazon em uma trajetória de melhoria de margens e maior lucratividade nos próximos trimestres.
Além disso, o segmento de varejo online, que vinha apresentando margens comprimidas, mostrou sinais de recuperação com melhor logística e controle de custos operacionais. O e-commerce internacional também voltou a crescer 12%, impulsionado pela América Latina e pela Índia.
Segundo o Morgan Stanley, “a Amazon não apenas superou as expectativas, mas mostrou que está disposta a investir para manter a liderança em tecnologia — o que deve garantir ganhos estruturais de longo prazo”.