O BTG Pactual reafirmou a recomendação de compra para as ações do Assaí (ASAI3), com preço-alvo de R$ 14,00, o que representa um potencial de valorização de 63,93% em relação à cotação atual, de R$ 8,54. A instituição destaca que, apesar dos desafios recentes no setor de varejo e consumo, a varejista mantém resiliência operacional e eficiência nas margens, sustentando uma visão positiva para o médio e longo prazo.
Cenário e desempenho recente
Nos últimos meses, o Assaí (ASAI3) enfrentou um ambiente desafiador, com desaceleração na receita líquida e maior concorrência no varejo alimentar. Ainda assim, segundo o relatório do BTG, a empresa conseguiu preservar margens operacionais sólidas, o que demonstra eficiência e controle de custos — um diferencial importante em um cenário de consumo mais fraco.
A prévia operacional do 3º trimestre revelou um desempenho estável, com crescimento moderado e manutenção da rentabilidade, seguindo a tendência observada em todo o setor. O banco ressalta que a performance está em linha com as expectativas e que o momento de cautela reflete as condições macroeconômicas e de consumo, ainda sob pressão.
“O Assaí mostrou capacidade de adaptação às mudanças no comportamento do consumidor e às novas dinâmicas do varejo alimentar. A empresa segue bem posicionada para capturar oportunidades à medida que a economia se estabiliza e o poder de compra das famílias melhora”, pontuou o BTG no relatório.
Tese de investimento: fundamentos sólidos e recuperação de longo prazo
O Assaí é atualmente o maior player puro no segmento de cash & carry (atacarejo) no Brasil, modelo que combina preços mais competitivos com alta escala de vendas. O BTG baseia sua visão positiva em três pilares principais:
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Histórico consistente de execução: o Assaí mantém um ritmo de crescimento de dois dígitos nos últimos anos, com disciplina operacional e ganhos contínuos de eficiência;
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Exposição direta ao modelo de cash & carry: formato que segue em expansão no Brasil e apresenta resiliência mesmo em períodos de menor consumo;
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Benefício com a queda da taxa de juros: a redução gradual da Selic tende a impulsionar o varejo e o fluxo de investidores para empresas de perfil defensivo e forte geração de caixa.
Apesar do “ruído” de curto prazo — como crescimento mais lento da receita e competição acirrada — o BTG entende que o momento representa uma janela de entrada atrativa. O banco cita a produtividade das lojas convertidas (após a cisão com o Grupo Pão de Açúcar) e a melhoria gradual das margens como catalisadores para uma retomada mais robusta a partir de 2026.
Indicadores e valuation
Com base em dados da Economatica, o Assaí apresenta dividend yield de 1,26% e dividendo por ação (DPA) de R$ 0,11 nos últimos 12 meses — valores acima da média histórica da companhia. A tendência é de manutenção da política de distribuição equilibrada, com prioridade à expansão de lojas e geração de caixa.
No campo de valuation, o BTG aponta que o ativo está subavaliado diante do potencial de recuperação. Com um preço-alvo de R$ 14,00, a ação tem espaço relevante para valorização, sustentada por múltiplos descontados e perspectivas de melhora operacional.
A cotação histórica recente mostra que, entre setembro e outubro de 2025, o papel passou por correção, caindo de R$ 10,00 para cerca de R$ 8,50, mas ensaiando recuperação nas últimas semanas. O gráfico de desempenho indica estabilização após o movimento de baixa, o que reforça o viés otimista dos analistas.
Distribuição de proventos: regularidade e consistência
O histórico de proventos da companhia mostra pagamentos recorrentes de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), ainda que em valores modestos. Em 2025, o Assaí distribuiu R$ 0,0927 por ação em JCP (janeiro) e R$ 0,0145 em dividendos (abril), totalizando um dividend yield anual próximo de 1,66%.
O mapa de calor de proventos revela que a empresa mantém uma frequência média de 25% a 80% de distribuição anual desde 2021, o que reforça o compromisso com o retorno ao acionista mesmo em fases de expansão.
Perspectivas e recomendação
O BTG Pactual reforça a recomendação de compra para ASAI3, destacando que a eficiência operacional, o posicionamento competitivo e a tendência de normalização do consumo sustentam o otimismo para o papel.
“O Assaí é uma aposta sólida dentro do varejo alimentar, com fundamentos fortes e sensibilidade positiva à queda dos juros. Apesar das pressões de curto prazo, a companhia segue bem posicionada para entregar crescimento e rentabilidade no médio prazo”, conclui o relatório.
Com potencial de valorização de quase 64%, a ação figura entre as principais recomendações do BTG no setor de Varejo e Consumo, sendo indicada para investidores que buscam exposição a empresas de baixo risco relativo e alto poder de execução.