As ações da Raízen (RAIZ4) registraram forte queda nesta quarta-feira (4) após o fracasso nas negociações para uma capitalização da companhia envolvendo suas controladoras, a Cosan e a Shell.
Por volta das 10h20, os papéis da empresa caíam 8,7%, negociados a R$ 0,63, refletindo a piora na percepção de risco dos investidores diante da situação financeira da companhia.
O impasse ocorre em um momento delicado para a empresa, que enfrenta elevado endividamento e pressão operacional.
Negociações entre Cosan e Shell fracassam
Segundo informações da Reuters, as conversas para reforçar o caixa da Raízen (RAIZ4) terminaram sem acordo entre seus principais acionistas.
A Shell teria sinalizado disposição para aportar cerca de R$ 3,5 bilhões, desde que a Cosan contribuísse com valor semelhante.
Durante as negociações, também chegou a ser discutida uma estrutura alternativa que envolveria:
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R$ 3,5 bilhões da Shell
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R$ 1 bilhão da Cosan
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R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto
No entanto, as partes não chegaram a um consenso sobre os termos da operação.
Atualmente, Cosan e Shell possuem cerca de 44% cada uma da companhia, o que torna qualquer solução dependente do alinhamento entre os dois grupos.
Shell ainda pretende apoiar a empresa
Apesar do fracasso nas negociações iniciais, a Shell ainda pretende continuar apoiando a companhia.
Segundo fontes de mercado, a empresa segue disposta a participar de uma eventual capitalização e também apoiar as negociações da Raízen com bancos e credores.
Além disso, fundos administrados pelo BTG Pactual também participaram das discussões, mas teriam discordado de alguns termos apresentados nas propostas de capitalização.
Dívida acima de R$ 55 bilhões pressiona cenário
A situação financeira da Raízen (RAIZ4) tem se deteriorado nos últimos trimestres.
A dívida líquida da companhia já supera R$ 55,3 bilhões, resultado de uma combinação de fatores, incluindo:
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forte ciclo de investimentos
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condições climáticas adversas
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incêndios que afetaram a produção agrícola
Diante desse cenário, analistas avaliam que a empresa pode precisar de uma reestruturação financeira mais ampla.
Entre as alternativas discutidas pelo mercado estão renegociação de dívidas, novos aportes de capital e ajustes operacionais para recuperar o equilíbrio financeiro.