Ações do Grupo Mateus (GMAT3) caíram mais de 15% após a companhia reconhecer um erro de R$ 1,1 bilhão na avaliação de seus estoques, revelado no balanço do terceiro trimestre. O ajuste contábil, que reduziu o valor dos estoques de R$ 6 bilhões para R$ 4,9 bilhões, também afetou diretamente o patrimônio líquido, que encolheu R$ 695 milhões, aumentando a desconfiança do mercado sobre a governança da empresa.
A distorção nos números reacendeu críticas à estrutura de controle interno da companhia, já apontada como frágil em relatórios anteriores. A revisão nos estoques decorre de falhas operacionais recorrentes — como inventários incompletos, checagens por amostragem e desvios de mercadoria — que passaram despercebidos por anos.
Governança e controle sob pressão
Em 2020, a Grant Thornton identificou 42 deficiências nos controles ligados aos estoques e recomendou melhorias. A empresa, no entanto, deixou de mencionar as fragilidades nos formulários de referência posteriores, sem esclarecer ao mercado como ou se os problemas foram solucionados. A nova auditoria, Forvis Mazars, assumiu os trabalhos em 2025 e não apresentou ressalvas no último parecer — o que aumentou ainda mais o questionamento sobre os processos de auditoria adotados.
Com crescimento acelerado e abertura de novas lojas, o Grupo Mateus expandiu sua operação, mas deixou para trás a atualização de seus sistemas de controle. Segundo especialistas, a combinação entre escalada operacional e falhas nos inventários acabou produzindo um impacto bilionário e comprometeu a confiança de investidores.
Falhas nos estoques: como o erro foi possível
Entre os problemas reconhecidos pela companhia, estão:
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Lojas que passaram até dois anos sem inventário completo;
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Checagens feitas por amostragem, em vez de verificação integral;
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Registros de mercadorias com códigos errados ou mais baratos, além de possíveis desvios em centros de distribuição.
A companhia informou que reforçou os processos de controle, aumentou a frequência das verificações físicas — que passaram a ser mensais — e adotou sistemas como o Kardex, além de treinar novas equipes para reavaliar os estoques.
Reação do mercado e futuro da ação
A reação do mercado foi imediata: as ações do Grupo Mateus entraram em leilão após despencarem quase 9% na mínima do dia, cotadas a R$ 1,89. Com a correção contábil, analistas afirmam que a empresa perde credibilidade no curto prazo e deve continuar sob forte escrutínio, sobretudo enquanto não esclarecer por completo os impactos financeiros da revisão.
O caso eleva a atenção sobre o setor varejista, que nos últimos anos enfrentou diversas polêmicas contábeis e operacionais. A transparência da empresa nos próximos trimestres será essencial para recuperar a confiança dos investidores.