O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (20) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve encerrar o atual mandato com o melhor resultado fiscal desde 2015, mesmo diante da ampliação dos investimentos sociais e do aumento dos programas de estímulo à economia.
A declaração foi feita durante o lançamento do Programa Reforma Casa Brasil, no Palácio do Planalto, que prevê a destinação de R$ 40 bilhões em crédito para reformas e ampliações de moradias populares, com juros subsidiados e foco em famílias de baixa e média renda.
O ministro aproveitou o evento para responder às críticas de economistas e do mercado financeiro sobre o suposto aumento dos gastos públicos e a dificuldade de o governo cumprir as metas fiscais estabelecidas para 2025.
Governo aposta em equilíbrio entre gasto social e responsabilidade fiscal
De acordo com Haddad, o resultado fiscal do governo Lula será alcançado sem cortes em programas sociais ou direitos trabalhistas. O ministro destacou que o ajuste nas contas públicas foi obtido por meio da revisão de subsídios e isenções tributárias concentradas em grandes empresas e setores de alta renda.
Segundo o ministro, a estratégia do governo é “corrigir distorções históricas” e tornar o sistema tributário mais equilibrado. Ele defende que, ao contrário de políticas anteriores, o atual governo promove um ajuste fiscal que preserva os mais vulneráveis e incentiva o consumo das famílias.
Nos últimos meses, a equipe econômica vem insistindo que a combinação de crescimento da arrecadação, revisão de renúncias fiscais e controle gradual de despesas obrigatórias será suficiente para estabilizar a dívida pública.
O Ministério da Fazenda trabalha com a expectativa de reduzir o déficit primário para menos de 0,5% do PIB em 2025, e de zerar o resultado fiscal em 2026, dentro do novo arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso Nacional.
Contexto político e reação do mercado
A fala de Haddad ocorre em meio a um ambiente de tensão entre o governo e o mercado financeiro, que demonstra ceticismo quanto à capacidade do Executivo de cumprir as metas fiscais diante do avanço dos gastos sociais e dos subsídios a programas como o Minha Casa, Minha Vida, o Desenrola Brasil e o próprio Reforma Casa Brasil.
Nas últimas semanas, instituições financeiras revisaram para cima suas projeções de déficit primário, estimando um resultado negativo superior a R$ 100 bilhões em 2025. Mesmo assim, Haddad afirma que a trajetória de recuperação fiscal está em curso e será sustentada por medidas estruturais de arrecadação, como a tributação sobre apostas online, fundos exclusivos e empresas multinacionais.
O ministro também rebateu críticas sobre o aumento da carga tributária, afirmando que as medidas de arrecadação têm foco nos setores de alta renda e grandes conglomerados econômicos, não impactando diretamente a classe média e os trabalhadores.
Resultado fiscal e legado econômico
Se confirmado, o melhor resultado fiscal desde 2015 marcaria uma reversão de tendência após uma década de desequilíbrios nas contas públicas, iniciada durante o segundo mandato de Dilma Rousseff e agravada pela recessão de 2015-2016.
A equipe econômica acredita que a redução gradual do déficit, aliada ao aumento da eficiência na arrecadação e à simplificação tributária, pode reforçar a credibilidade do Brasil junto a investidores e organismos internacionais.
Além do resultado fiscal, o governo aposta em indicadores de emprego e renda para sustentar a narrativa de uma retomada equilibrada. Dados do IBGE mostram crescimento do emprego formal e desaceleração da inflação, fatores que Haddad cita como evidência de que é possível conciliar responsabilidade fiscal e investimento social.
Perspectivas para 2026
O Ministério da Fazenda espera que, até o fim do próximo ano, o país alcance um superávit primário modesto, consolidando a recuperação das contas públicas e abrindo espaço para novos investimentos.
Enquanto isso, o debate sobre o resultado fiscal continua no centro das discussões entre o governo, o Congresso e o mercado. A equipe econômica reforça que o compromisso com o equilíbrio das contas será mantido, mas com prioridade às políticas voltadas para a redução da desigualdade e o estímulo à economia real.