Ambipar (AMBP3): ações despencam quase 30% após pedido de recuperação judicial no Brasil e EUA

Ambipar (AMBP3) despenca 29% após pedido de recuperação judicial no Brasil e EUA. Dívidas superam R$ 11 bilhões
Ambipar (AMBP3)

As ações da Ambipar (AMBP3) desabaram 29% nesta terça-feira (21), após o anúncio de que o grupo entrou oficialmente com pedido de recuperação judicial no e nos Estados Unidos. A notícia confirma os temores do mercado sobre a fragilidade financeira da companhia, que acumula dívidas superiores a R$ 11 bilhões.

Por volta das 13h04, os papéis eram cotados a R$ 0,41, acumulando perdas de mais de 90% no último mês. Em setembro, a ação ainda era negociada acima de R$ 10, mas desde então foi retirada de nove índices da , incluindo o Ibovespa e o Índice de Empresarial (ISE), refletindo o colapso de confiança dos .

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Pedido de recuperação judicial da Ambipar (AMBP3)

De acordo com comunicado oficial, o Grupo Ambipar entrou com o pedido de recuperação judicial na 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A companhia também confirmou que sua subsidiária internacional, a Ambipar Emergency Response, com sede nas Ilhas Cayman, protocolou pedido semelhante nos Estados Unidos, sob o Chapter 11 da lei de falências americana.

O pedido havia sido amplamente antecipado pelo , já que a empresa vinha enfrentando dificuldades para honrar compromissos de curto prazo e pressões de credores. O grupo vinha tentando negociar linhas de crédito emergenciais e reestruturação de , mas o avanço das cobranças judiciais e a falta de liquidez aceleraram a decisão.

O plano de recuperação deverá incluir reescalonamento de dívidas, venda de ativos não estratégicos e negociações diretas com credores internacionais. Segundo a própria Ambipar, o pedido “preservar o valor das operações e garantir a continuidade das atividades essenciais, especialmente na área ambiental”.


Dívidas bilionárias e exposição bancária

A Ambipar (AMBP3) informou que, até o fim do segundo trimestre de 2025, possuía R$ 4,7 bilhões em caixa, dos quais R$ 2 bilhões estavam disponíveis imediatamente. Entretanto, o volume de passivos era quase três vezes superior, alcançando cerca de R$ 11 bilhões.

Entre os principais credores estão o Banco Santander e o Banco do Brasil, com R$ 2 bilhões em financiamentos e garantias. O Santander, inclusive, exigiu pagamento de US$ 120 milhões em apenas 24 horas, enquanto o Deutsche Bank cobrou um aditivo de US$ 35 milhões, conforme cláusulas de seus contratos de bond.

Essa exigência provocou um efeito cascata, acelerando vencimentos e comprometendo a estrutura de capital da Ambipar. Sem alternativas imediatas, a empresa optou por recorrer ao Judiciário para tentar conter a execução das dívidas e evitar bloqueios de contas.


A escalada da crise da Ambipar (AMBP3)

O colapso da Ambipar começou a se desenhar em 22 de setembro, quando os bonds internacionais da companhia, com vencimento em 2031, despencaram no mercado secundário. O episódio ocorreu pouco antes de a empresa anunciar uma nova emissão de debêntures no valor de R$ 3 bilhões, o que gerou desconfiança entre gestores e fundos de crédito.

Desde então, as agências de rating vêm revisando as notas da Ambipar. A S&P Global Ratings indicou que a companhia apresentava dívida líquida de R$ 616 milhões, mas destacou incertezas sobre a liquidez real do caixa — questionamento que aumentou após a Justiça determinar o sigilo sobre parte do fluxo de recursos apresentado no pedido de recuperação.

Fontes próximas à companhia afirmam que, internamente, havia divergência entre as áreas financeira e operacional sobre o real volume de recursos disponíveis e o ritmo de pagamentos de fornecedores e bancos.


Perspectivas e reestruturação

Com o pedido de recuperação judicial aceito, a Ambipar (AMBP3) ganha proteção temporária contra execuções e cobranças, o que deve permitir a formulação de um em até 60 dias. A expectativa é que o processo envolva venda parcial de subsidiárias, renegociação de contratos internacionais e corte de custos operacionais.

Mesmo assim, analistas de mercado avaliam que a recuperação será complexa e demorada, dado o tamanho da dívida e a exposição global do grupo. O BTG Pactual (BPAC11), em relatório, alertou que a crise da Ambipar pode ter efeito sistêmico sobre o mercado de crédito privado brasileiro, já pressionado pelo aumento da inadimplência corporativa.

A Ambipar, que até pouco tempo era vista como referência em gestão ambiental e resposta a emergências, agora enfrenta o maior desafio de sua história. Investidores acompanham com cautela as próximas decisões judiciais, que definirão o futuro da empresa e o valor residual para os acionistas.

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