O prejuízo dos Correios chegou a R$ 4,37 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025, configurando o maior déficit já registrado pela empresa pública. A estatal atribuiu a crise financeira à ausência de investimentos durante o governo Jair Bolsonaro (2019–2022), período que, segundo o atual comando, comprometeu a competitividade e a capacidade de modernização da companhia.
Expectativa de recursos para aliviar contas
A direção da empresa informou à Câmara dos Deputados que espera receber R$ 1,6 bilhão em 2025, valor aprovado no orçamento da União. Essa injeção de capital poderia aliviar parte do prejuízo dos Correios, mas especialistas avaliam que as dificuldades da estatal são estruturais e exigem mudanças profundas em sua gestão.
Impacto da falta de investimentos
Em ofício enviado ao Congresso, o assessor especial da presidência da estatal, Geverson Nery de Albuquerque, destacou que a limitação de recursos entre 2019 e 2022 impactou diretamente os resultados atuais. Segundo ele, o prejuízo dos Correios é reflexo da “severa restrição de investimentos” no período, que limitou a capacidade da empresa de competir no mercado de entregas.
Histórico de resultados

Medidas anunciadas
Para enfrentar o prejuízo, a estatal anunciou que pretende:
-
reduzir a jornada de trabalho para seis horas, com corte proporcional de salários;
-
incentivar o desligamento voluntário de funcionários;
-
racionalizar contratos e despesas operacionais.
Segundo a companhia, as mudanças são necessárias para garantir a continuidade dos serviços prestados à população.
Consequências imediatas
Nos últimos meses, a estatal apresentou atrasos no pagamento de aluguéis de agências, inadimplência com fornecedores e dificuldades para manter o plano de saúde dos empregados. Esses problemas levaram o então presidente da estatal, Fabiano Santos, a pedir demissão em agosto.
O futuro da estatal
Analistas do setor destacam que, embora o aporte de recursos da União possa trazer fôlego de curto prazo, o prejuízo dos Correios só será revertido com investimentos em modernização, digitalização de processos e eficiência operacional. Caso contrário, a estatal corre o risco de ampliar ainda mais sua dependência do Tesouro Nacional.