A escalada do conflito entre EUA e Irã fez o petróleo disparar mais de 8% nesta segunda-feira (2), após ataques coordenados envolvendo Estados Unidos e Israel atingirem alvos iranianos no fim de semana.
O Irã respondeu com ataques retaliatórios e anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do comércio marítimo global de petróleo e gás natural.
Por volta das 12h30 (horário de Brasília), o Brent avançava 7,64%, negociado a US$ 78,44 por barril na ICE, em Londres.
Estreito de Ormuz no centro das atenções
O bloqueio do Estreito de Ormuz adiciona um prêmio geopolítico relevante ao petróleo. Analistas avaliam que, mesmo sem perdas imediatas de produção, interrupções logísticas podem gerar atrasos significativos no fluxo global de óleo bruto.
O BTG Pactual estima o Brent negociado entre US$ 75 e US$ 80 no cenário atual, podendo ultrapassar esse nível em caso de nova escalada entre EUA e Irã.
Apesar da alta beneficiar o setor como um todo, as casas recomendam cautela diante da imprevisibilidade geopolítica.
Qual ação é a maior beneficiada?
Entre as petroleiras brasileiras, a preferência do BTG Pactual é pela Prio (PRIO3), considerada a empresa mais exposta ao preço da commodity.
O banco destaca que, ao desconsiderar hedges, um Brent a US$ 80 poderia levar o yield de fluxo de caixa ao acionista (FCFE) de 2026 da Prio a 27%. Para comparação:
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Brava: 23%
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PetroReconcavo: 21%
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Petrobras: 13%
Além disso, a expectativa de resultados fortes no 4T25 e o primeiro óleo do campo de Wahoo reforçam o momento operacional da companhia.
E a Petrobras?
A Petrobras (PETR4) também se beneficia do petróleo mais alto, mas em menor magnitude no curto prazo.
Isso porque a estatal tende a não repassar imediatamente a alta internacional aos preços domésticos de combustíveis, o que pode gerar defasagem na rentabilidade.
Mesmo assim, XP e Bradesco BBI colocam Petrobras entre as empresas que melhor capturam novas altas do Brent, ao lado de Prio e PetroReconcavo.
Brava pode surpreender?
A Brava Energia (BRAV3) pode se beneficiar da alta do petróleo, o que ajudaria no processo de desalavancagem. No entanto, a companhia possui maior proteção via hedge, o que limita a captura total do upside no curto prazo.
Já a PetroReconcavo (RECV3) tende a capturar parte do movimento, mas cerca de metade de sua produção é voltada para gás natural, reduzindo a sensibilidade ao Brent.
Risco geopolítico exige cautela
Segundo analistas, ampliar exposição ao setor com base em um evento de duração incerta pode ser taticamente arriscado.
Se o bloqueio do Estreito de Ormuz se prolongar, há espaço para novas altas. Por outro lado, qualquer sinal de desescalada pode provocar correção rápida nos preços.
O mercado agora monitora os próximos passos do conflito entre EUA e Irã e seus desdobramentos sobre inflação global, logística energética e política monetária.