A Fictor anunciou o fechamento do Fictor Invest Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para resgates após enfrentar uma corrida de cotistas. O fundo tem patrimônio de aproximadamente R$ 270 milhões.
Além da suspensão de resgates, a gestora convocou Assembleia Geral para o dia 9 de março com proposta de liquidação do veículo.
Pressão após pedido de recuperação judicial
A Fictor Asset integra o grupo que entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. Inicialmente, apenas a Fictor Invest e a Fictor Holding haviam protocolado o pedido. Nesta semana, houve emenda na petição para incluir outras empresas do conglomerado, entre elas a própria Fictor Asset.
Segundo documento da gestora, após o pedido de recuperação, a “similaridade reputacional e a unidade de marca” provocaram aumento atípico nos pedidos de resgate, que superaram 40% do patrimônio líquido do fundo.
Renúncia da administradora e incertezas jurídicas
A administradora fiduciária do fundo, Apex (antiga BRL Trust), apresentou pedido de renúncia em 19 de fevereiro. Apesar disso, deve permanecer na função por até 180 dias ou até que seja substituída ou o fundo liquidado.
Um advogado que representa mais de 200 credores demonstrou preocupação com o plano de liquidação encaminhado aos cotistas. O documento informa que, com a liquidação, os investidores assumirão o polo ativo e passivo das ações judiciais relacionadas ao fundo.
Isso inclui processos já existentes e eventuais ações futuras movidas contra o fundo, a administradora e a custodiante em razão da cobrança de direitos creditórios.
Mercado atento ao risco de contágio
O fechamento do FIDC reforça a percepção de risco reputacional e de contágio dentro do grupo Fictor.
Em momentos de estresse, fundos de crédito privado podem enfrentar descasamento entre ativos ilíquidos e pedidos de resgate imediatos — cenário que costuma levar à suspensão de resgates ou liquidação.
Agora, os cotistas aguardam a decisão da assembleia marcada para março, que definirá os próximos passos do fundo.