As ações da Azul (AZUL53) chegaram a cair até 50% no pregão desta quinta-feira (19), após a companhia concluir sua oferta de ações e homologar um aumento de capital que totalizou R$ 4,987 bilhões.
Por volta das 16h, os papéis recuavam 34,51%, negociados a R$ 167 na B3. O movimento intenso ocorre em meio à emissão massiva de novas ações, dentro do processo de reestruturação financeira da companhia nos Estados Unidos, via Chapter 11.
Emissão bilionária e diluição pesada
Na noite de quarta-feira (18), a Azul informou que seu conselho aprovou a homologação do aumento de capital com a emissão de aproximadamente 45,5 trilhões de novas ações, ao preço de R$ 0,00011 por papel.
Com isso, houve forte diluição dos acionistas atuais, já que parte relevante da operação envolve conversão de dívidas em ações.
Após o aumento, o capital social da companhia passou a R$ 21,7 bilhões, dividido em cerca de 54,7 trilhões de ações ordinárias, já considerando o grupamento aprovado na semana anterior na proporção de 75 para 1.
O preço por ação foi definido com desconto de 30% sobre o valor econômico pós-money estimado da empresa, calculado em US$ 1,78 bilhão.
Oferta faz parte do Chapter 11
A operação integra o plano de recuperação judicial da Azul nos Estados Unidos (Chapter 11), cujo objetivo é fortalecer a estrutura de capital e garantir recursos para financiar o DIP (Debtor in Possession), modalidade de financiamento para empresas em reestruturação.
Para viabilizar a captação, a companhia firmou compromissos que somam até US$ 951 milhões.
A United Airlines assumiu compromisso de subscrição de US$ 100 milhões. Um grupo de investidores âncora comprometeu até US$ 750,75 milhões, com possibilidade adicional de US$ 101,5 milhões.
Segundo o Bradesco BBI, a confirmação dos recursos reduz incertezas relevantes e aumenta a visibilidade sobre o sucesso da reestruturação.
Por que as ações caem tanto?
Apesar da leitura positiva do ponto de vista financeiro da empresa, o mercado reage à diluição extrema.
A emissão de trilhões de novas ações a preço com desconto reduz significativamente a participação percentual dos acionistas antigos. Isso pressiona a cotação.
Especialistas apontam que a queda reflete justamente essa diluição. Os sucessivos aportes e conversões de dívida em ações fizeram com que o valor unitário dos papéis se tornasse bastante sensível a qualquer movimento estrutural.
Há ainda a avaliação de que, no futuro, a companhia pode considerar uma oferta para fechamento de capital, embora não haja anúncio formal nesse sentido.