O governo da China acusou os Estados Unidos de estarem por trás do roubo de 127 mil unidades de bitcoin, avaliadas atualmente em cerca de R$ 68 bilhões (ou US$ 13 bilhões). A denúncia foi feita no último domingo (9) pela agência de cibersegurança chinesa, o Centro Nacional de Respostas a Emergências com Vírus Computacionais (CVERC), reacendendo tensões entre as potências em meio ao delicado cenário do mercado de criptomoedas.
Segundo o CVERC, os bitcoins em questão teriam sido apreendidos pelo Departamento de Justiça dos EUA, mas originalmente pertenciam à LuBian, uma antiga rede de mineração de bitcoin na China. Em 2020, a empresa sofreu um ataque hacker massivo, resultando no desaparecimento das 127 mil unidades da moeda digital — um dos maiores roubos já registrados no universo cripto.
Hack histórico, silêncio e movimentações suspeitas
O caso permaneceu em sigilo por anos, até que em agosto de 2025 investigações vieram a público confirmando o sumiço dos ativos. Em outubro, novas movimentações chamaram a atenção do mercado: cerca de US$ 14 bilhões em bitcoins foram transferidos de carteiras vinculadas ao ataque, justamente após autoridades norte-americanas anunciarem uma apreensão.
Na ocasião, o Departamento de Justiça dos EUA afirmou que os fundos estavam em posse de Chen Zhi, apontado como o líder do grupo hacker responsável pela invasão. No entanto, as autoridades chinesas contestam a versão e sugerem que o ataque teve apoio estatal por parte dos EUA, colocando sob suspeita a origem da suposta ação de “cumprimento da lei”.
Denúncia direta contra os EUA
Em um relatório oficial, o governo da China afirma que os recursos técnicos e logísticos utilizados no roubo só poderiam ter sido viabilizados com apoio de uma estrutura governamental sofisticada. A versão chinesa alega que a recente apreensão seria apenas o desfecho de um plano de longa duração para controlar os ativos digitais.
Além disso, Pequim denuncia que as vítimas do ataque — os operadores da LuBian — nunca receberam os bitcoins de volta, colocando em xeque a legitimidade da ação conduzida pelos EUA. As autoridades norte-americanas, por outro lado, sustentam que a operação se deu dentro dos limites legais, como parte de uma investigação internacional contra crimes cibernéticos.
Repercussão no mercado cripto
A denúncia chinesa ainda não gerou resposta oficial do governo dos Estados Unidos, mas já provoca debates intensos nas redes sociais e entre analistas de criptomoedas. O episódio reacende o debate sobre a transparência na atuação de governos no setor cripto, que se apoia na descentralização como um de seus pilares.