A semana começou com um novo fôlego para o real. O dólar segue pressionado para baixo e acumula queda expressiva nas últimas quatro semanas, alimentando a expectativa de que a moeda norte-americana possa buscar patamares ainda mais baixos — próximos a R$ 5,00 — nos próximos dias. A projeção é do BTG Pactual, que vê uma reversão técnica consistente no gráfico da moeda.
Segundo relatório divulgado pelo banco nesta segunda-feira (11), a tendência de baixa foi confirmada na última semana, com o dólar encerrando os cinco dias com recuo de 0,8%. O movimento reforça a dominância da ponta vendedora e sinaliza uma possível continuação do ciclo de desvalorização da divisa frente ao real.
Pressão técnica aumenta: análise gráfica aponta para novo suporte
De acordo com os analistas do BTG, o dólar rompeu recentemente a mínima do ano em R$ 5,2709, e atingiu durante a sessão desta segunda-feira a média móvel de 200 semanas, em R$ 5,27 — um nível considerado crítico de suporte técnico.
Com base em padrões gráficos, o banco destaca a formação de um ombro-cabeça-ombro (OCO) no gráfico semanal, estrutura clássica de reversão de tendência que se formou entre julho de 2024 e outubro de 2025. Esse padrão sustenta uma leitura mais pessimista para a moeda norte-americana, abrindo espaço para quedas adicionais.
Caso a pressão vendedora persista, os próximos suportes estão projetados em R$ 5,12 e, posteriormente, em R$ 5,02, segundo o banco.
Cruzamentos de médias e price action reforçam viés negativo
O relatório destaca ainda que as médias móveis de 21 e 50 dias voltaram a apresentar cruzamento de baixa, o que, em análise técnica, indica aceleração da tendência de queda. O chamado price action — leitura do comportamento do preço — também reforça essa visão, com fechamentos próximos das mínimas e maior amplitude nas sessões de queda.
Contexto internacional: DXY mostra sinais de fraqueza
No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas, também enfrenta resistência técnica. Apesar do cruzamento de alta entre as médias de 21 e 50 dias, o índice trava na média móvel de 200 dias, na região de 100,25 pontos.
Caso o DXY perca força e rompa o suporte de 98,45 pontos, a tendência de baixa no médio prazo pode ser retomada, o que favoreceria ainda mais a valorização de moedas emergentes como o real.
O que isso significa para investidores?
Com a moeda americana sob pressão e a análise técnica sinalizando alvos mais baixos, investidores e empresas com exposição ao dólar devem se preparar para possíveis oscilações. A combinação de fatores técnicos e fundamentos externos pode abrir oportunidades no mercado de câmbio, principalmente para quem aposta em um real mais forte no curto prazo.
Ainda assim, a cautela permanece: o cenário externo volátil e as incertezas fiscais domésticas continuam no radar.