O mercado repercute a reestruturação financeira da Braskem, que avançou 14% no Ibovespa sem indicar planos de venda de ativos. A companhia busca alternativas para fortalecer seu capital e melhorar a eficiência operacional.
Braskem anuncia estratégias para reestruturação financeira sem vender ativos
A Braskem está focada na reestruturação financeira sem recorrer à venda de ativos. Segundo o CEO Roberto Ramos, vender ativos significa trocar fluxo de caixa atual por futuro, o que só faz sentido em condições muito vantajosas. Por isso, a empresa busca alternativas para melhorar sua estrutura de capital sem se desfazer de bens importantes.
Em setembro, a companhia contratou assessores financeiros para ajudar na reformulação do capital, que está fragilizado devido a um período prolongado de baixa na indústria petroquímica global. A alavancagem da Braskem atingiu 14,76 vezes em setembro, contra 6,08 vezes há um ano, mostrando a necessidade de agir cuidadosamente para controlar dívidas e manter a saúde financeira.
Ramos explicou que a Braskem retirou US$ 1 bilhão em outubro numa linha de crédito como medida preventiva. Esse recurso servirá para reforçar o caixa em situação de incerteza global, garantindo maior segurança para as operações diárias da empresa. Esse tipo de estratégia tem sido usado desde a pandemia para enfrentar desafios econômicos inesperados.
Apesar dos rumores sobre a venda da participação da Novonor, a direção da Braskem não confirma negociações ligadas a essa operação. O foco está totalmente na otimização da estrutura de capital por meio de outras estratégias, sem que isso envolva alienação de ativos. O trabalho com os assessores está em andamento, mas ainda sem definições finais.
Uso de matérias-primas e parcerias impulsionam geração de caixa e eficiência
A Braskem vem adotando o uso de matérias-primas mais baratas para melhorar sua eficiência e resultado financeiro. Um exemplo é o uso do propano importado da Argentina em um dos seis fornos da central petroquímica no Rio Grande do Sul. Essa mudança tem mostrado eficiência acima do esperado, mesmo que a empresa não acelere a substituição por enquanto, devido à queda nos preços do nafta, outra matéria-prima usada.
Além disso, a empresa tem uma parceria com a mexicana Idesa para a operação da Braskem Idesa no México. Essa planta apresentou alavancagem próxima de 25 vezes no terceiro trimestre, e a empresa contratou assessores para reduzir esse índice. A retomada das operações e um reperfilamento do estoque de dívida devem ajudar a melhorar os números nos próximos meses.
O presidente da Braskem também comentou que a Pemex, petrolífera mexicana, fornece menos matéria-prima do que o esperado, mas a companhia vem complementando isso com gás do terminal de importação. A planta brasileira já opera além da capacidade máxima e espera crescimento de produção e EBITDA.
Sobre Alagoas, a Braskem firmou um acordo de R$ 1,2 bilhão para encerrar ação estadual relacionada ao afundamento do solo em Maceió. A empresa hibernou uma central produtora de PVC no estado e vai importar EDC da americana Olin, matéria-prima para o PVC. Essas ações também representam esforços para ter um processo produtivo mais eficiente e seguro financeiramente.