43% dos brasileiros não têm reserva de emergência, diz Datafolha

Pesquisa Datafolha mostra que 43% dos brasileiros não têm reserva de emergência, mesmo com 84% enfrentando imprevistos financeiros no último ano.
reserva de emergência

Um novo levantamento do Datafolha revelou um dado preocupante: 43% dos brasileiros não possuem nenhuma reserva de emergência para lidar com imprevistos financeiros. O dado, divulgado em novembro de 2025, evidencia como a ausência de segue afetando a vida da maioria da população, mesmo em um cenário de maior acesso à informação e ferramentas de controle de gastos.

A pesquisa foi encomendada pela Planejar – Associação Brasileira de Planejamento Financeiro, e ouviu duas mil pessoas das classes A, B e C, maiores de 18 anos, com acesso à internet, entre os dias 16 e 29 de julho de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

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Emergências são frequentes, mas prevenção ainda é baixa

Apesar da falta de reserva de emergência, 84% dos entrevistados relataram ter passado por ao menos uma emergência financeira nos últimos 12 meses. Os eventos mais comuns incluem atrasos em contas básicas, empréstimos emergenciais, uso de rotativo e até mesmo negativação do nome.

A situação é ainda mais crítica entre a classe C, que representa 78% dos entrevistados sem qualquer valor guardado. A ausência de poupança atrelada à alta incidência de emergências financeiras torna essa parcela da população extremamente vulnerável a desequilíbrios financeiros.

Mesmo com esse cenário, 59% dos entrevistados afirmaram que se consideram planejados financeiramente. No entanto, o comportamento não acompanha a prática: 52% dizem não saber exatamente quanto gastam por mês, embora tenham uma noção geral das despesas.

Falta cultura de planejamento a longo prazo

A pesquisa também destaca uma lacuna significativa no que diz respeito ao planejamento patrimonial e sucessório. Apesar de 56% dos entrevistados afirmarem que já pensaram em como distribuir seus bens, apenas 7% têm um testamento formalizado.

Outro dado que chama atenção é que 57% não contam com qualquer tipo de apoio financeiro externo, seja de familiares ou amigos, e somente 2% já contrataram um planejador financeiro. Ainda assim, 49% demonstram interesse em buscar esse tipo de orientação no futuro, o que aponta para uma possível mudança de comportamento a médio prazo.

Nível de satisfação financeira é baixo

Quando questionados sobre a própria situação financeira, 46% disseram estar insatisfeitos, enquanto 38% se mantêm neutros e apenas 16% se sentem satisfeitos. A correlação entre satisfação e controle dos gastos também foi evidenciada: entre os que se dizem satisfeitos, 82% acompanham seus gastos regularmente. Entre os insatisfeitos, esse número cai para 55%.

Mesmo com 64% dos entrevistados dizendo que fazem algum tipo de planejamento mensal, 39% afirmam que conseguem pagar as contas, mas sem sobra de dinheiro, e 19% admitem que nem sempre conseguem quitar todas as despesas mensais.

Reserva de emergência é o pilar da saúde financeira

Especialistas alertam que a falta de uma reserva de emergência pode transformar pequenos imprevistos em de longo prazo. Ter ao menos de três a seis meses de despesas fixas guardadas é o recomendado por planejadores financeiros para garantir maior tranquilidade e segurança.

Além disso, a construção dessa reserva deve ser feita com disciplina e constância, de preferência utilizando de baixo risco e alta liquidez, como Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária ou contas remuneradas.

A pesquisa mostra que, embora exista uma percepção de controle entre os brasileiros, a prática de formação de reserva de emergência ainda precisa evoluir muito. Para isso, a precisa ser mais acessível e presente no cotidiano, inclusive nas escolas e locais de trabalho.

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