O Bitcoin recuou mais de 5% nesta terça-feira (4), sendo negociado a US$ 100.769 — o menor valor desde junho deste ano. O movimento representa uma queda de 20% em relação ao pico atingido há um mês e reforça o momento de baixa que domina o mercado de criptoativos.
Liquidação de outubro ainda pressiona o mercado
O tombo atual consolida a devolução de todo o rali registrado no verão, impulsionado pela entrada de investidores institucionais e pelo otimismo em Wall Street. Desde meados de outubro, o setor enfrenta uma onda de liquidações, que apagou bilhões de dólares em posições compradas.
A correção derrubou o bitcoin para níveis próximos do suporte psicológico de US$ 100 mil, superado brevemente há cinco meses. Embora o volume das liquidações nesta terça-feira tenha sido relativamente modesto — cerca de US$ 1 bilhão —, o trauma da forte queda de outubro, quando foram liquidados US$ 19 bilhões em um único dia, ainda afeta o comportamento dos operadores.
Investidores evitam risco e reduzem exposição ao Bitcoin
Segundo analistas, a aversão ao risco é o principal fator que pressiona o mercado. O diretor de pesquisa da Ergonia, Chris Newhouse, avalia que o impacto emocional da última liquidação fez os investidores evitarem apostas mais agressivas. Muitos têm preferido manter estratégias de curto prazo, com menor exposição.
O movimento do bitcoin também acompanha a queda de ações de tecnologia, como Palantir e Nvidia, em meio a dúvidas sobre avaliações elevadas. Essa correlação reforça o papel do bitcoin como termômetro do apetite por risco nos mercados globais.
No mercado de derivativos, há forte demanda por opções de venda (puts) com vencimento em novembro, especialmente com preços de exercício em torno de US$ 80 mil, segundo dados da Deribit. Isso indica expectativa de que a pressão vendedora continue nas próximas semanas.
Saídas de ETFs
Outro fator que contribui para a queda do bitcoin é o resgate constante de recursos de ETFs (fundos de índice) ligados a criptoativos. Há cerca de um mês, tanto os ETFs de bitcoin quanto os de ether registram saídas líquidas, indicando uma pausa no interesse institucional pelo setor.
Além disso, há temor de que tesourarias de empresas ligadas ao setor realizem vendas adicionais de criptoativos para reforçar caixa, o que aumentaria ainda mais a pressão no mercado à vista.
Apesar de o bitcoin ainda acumular alta inferior a 10% em 2025, o desempenho está abaixo do observado nas bolsas americanas, frustrando parte dos investidores que buscavam no ativo uma proteção para suas carteiras.