A Vale (VALE3) prestou esclarecimentos à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre os dividendos extraordinários mencionados por seu vice-presidente financeiro, Marcelo Bacci. A companhia afirmou que, até o momento, não há decisão do conselho sobre o pagamento, o montante ou a data da eventual distribuição.
Vale responde à CVM sobre dividendos extraordinários
O esclarecimento foi solicitado após declarações do executivo durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre. Na ocasião, Bacci indicou que a estabilidade do mercado e o desempenho sólido da mineradora criam condições favoráveis para uma nova distribuição de dividendos extraordinários “em breve”.
Diante da repercussão, a CVM questionou a companhia sobre a veracidade das informações e o motivo de o indicativo de pagamento não ter sido divulgado como fato relevante. Em resposta, a Vale afirmou que as falas do executivo não configuram decisão formal, mas apenas uma contextualização sobre o histórico e as práticas da empresa.
A mineradora ressaltou que, historicamente, aprova a distribuição de proventos nos últimos meses de cada ano, de acordo com o desempenho financeiro. Em 2024, 2023 e 2022, as liberações ocorreram entre outubro e dezembro, o que reforça a expectativa do mercado por um novo pagamento neste fim de ano.
Falas de Bacci geram expectativa entre acionistas
Na manifestação enviada à CVM, a Vale reforçou que a menção a “dividendos extraordinários” diz respeito ao fato de a empresa já ter cumprido o valor mínimo previsto na sua Política de Remuneração aos Acionistas. Esse compromisso foi alcançado com a distribuição de juros sobre capital próprio aprovada em 31 de julho e paga em 4 de setembro de 2025.
A mineradora argumentou que, diante das mudanças propostas na tributação dos dividendos e dos resultados sólidos no período, é natural que se discuta uma nova distribuição. Segundo a empresa, o objetivo das declarações foi apenas esclarecer o cenário e não antecipar qualquer decisão do conselho.
Apesar da cautela no comunicado, o mercado reagiu positivamente ao tom das declarações. Investidores veem alta probabilidade de um pagamento extraordinário até o fim do ano, especialmente após o lucro expressivo do terceiro trimestre.
Lucro e caixa reforçam potencial para novos dividendos da Vale
A Vale registrou lucro líquido de US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre de 2025, um aumento de 11% em relação ao mesmo período de 2024. O número superou as estimativas do mercado, que apontavam para US$ 2,1 bilhões, de acordo com a LSEG.
A receita líquida somou US$ 10,4 bilhões, avanço de 9% na base anual, enquanto o Ebitda ajustado cresceu 21%, chegando a US$ 4,37 bilhões. A margem Ebitda proforma subiu de 39% para 42%. Já o fluxo de caixa livre disparou 337%, alcançando US$ 2,57 bilhões, reforçando a capacidade da mineradora de remunerar seus acionistas.
Por outro lado, a dívida líquida subiu 31%, para US$ 12,45 bilhões, e os investimentos recuaram 11%, somando US$ 1,25 bilhão no período. Ainda assim, o desempenho financeiro robusto e a geração de caixa positiva mantêm a empresa em posição confortável para possíveis distribuições adicionais.
Para o investidor, o esclarecimento da Vale à CVM indica que, embora ainda não haja decisão oficial sobre dividendos extraordinários, a companhia mantém espaço financeiro para um novo pagamento. O histórico de distribuições no fim do ano e os resultados acima das expectativas sustentam a aposta de que os acionistas podem ser contemplados novamente, caso o conselho aprove a proposta nas próximas semanas.