A Nestlé anuncia demissão em massa: serão 16 mil funcionários dispensados em todo o mundo até 2027, em um dos maiores planos de reestruturação da história recente da multinacional suíça.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (13) pelo novo presidente global da companhia, Philip Navratil, ao apresentar os resultados do terceiro trimestre de 2025, que mostraram queda de 1,9% nas vendas, totalizando 71 bilhões de euros.
A medida faz parte de um programa para reduzir custos e aumentar a eficiência operacional, após um período de forte desaceleração no crescimento e margens pressionadas por custos logísticos e inflação persistente.
“O mundo evolui e a Nestlé precisa se adaptar rapidamente. Isso implica tomar decisões difíceis, mas necessárias”, afirmou Navratil em comunicado.
Nestlé anuncia demissão em meio a plano global de corte de despesas
Segundo a empresa, o novo plano prevê a eliminação de 12 mil postos de trabalho adicionais, somados aos 4 mil cortes já em andamento, com o objetivo de reduzir as despesas anuais em 1 bilhão de francos suíços (aproximadamente 1,07 bilhão de euros) até o final de 2027.
O número é o dobro da meta inicial de redução de custos, refletindo o esforço da Nestlé em recuperar competitividade e margens após anos de expansão e diversificação.
Com isso, a companhia também aumentou sua meta de poupança total para 3 bilhões de francos suíços (3,2 bilhões de euros), frente aos 2,7 bilhões projetados anteriormente.
“Estamos aumentando nossa meta de economia para 3 bilhões de francos suíços. Precisamos ser mais ágeis e produtivos”, disse Navratil, ex-diretor da Nespresso, marca premium do grupo.
Demissões não têm países definidos, mas afetam operações globais
A Nestlé não informou quais países serão mais impactados pelos cortes, mas confirmou que o plano abrangerá todas as divisões e regiões onde o grupo atua.
A companhia mantém operações em mais de 180 países, com 2 mil marcas em seu portfólio — entre elas Nescafé, Maggi, KitKat e Purina.
No Brasil, a empresa ainda não confirmou impacto direto sobre os seus mais de 30 mil funcionários. Já em Portugal, onde atua desde 1923, a Nestlé possui duas fábricas — uma em Avanca e outra no Porto — e um centro de distribuição em Estarreja, empregando cerca de 500 pessoas.
Mudança de comando e pressão por resultados
O anúncio de que a Nestlé anuncia demissão ocorre em meio a mudanças na alta liderança.
Em setembro, o grupo trocou seu comando: Philip Navratil substituiu o belga Paul Bulcke, enquanto o francês Laurent Freixe, diretor-geral, também deixou a companhia.
Nos primeiros nove meses de 2025, o crescimento das vendas foi de 3,3%, sustentado por aumentos de preços de 2,8%, mas sem avanço significativo em volume.
Analistas apontam que o desempenho reflete o impacto da inflação global de 2022 e os efeitos de escândalos envolvendo a divisão de águas engarrafadas, que afetaram a imagem e as margens da empresa.
Meta é restaurar confiança e rentabilidade
O plano de reestruturação, segundo o grupo, busca restabelecer a rentabilidade e restaurar a confiança de investidores após três anos de resultados voláteis.
A Nestlé pretende racionalizar portfólios, revisar fábricas menos produtivas e acelerar a automação industrial, especialmente em cadeias de produção, armazenamento e distribuição.
“Nosso objetivo é equilibrar produtividade e inovação, mantendo a confiança de consumidores e acionistas”, afirmou Navratil.
O que esperar daqui pra frente
O mercado reagiu de forma cautelosa ao anúncio. Embora os cortes possam melhorar margens no médio prazo, há preocupação sobre impactos sociais e reputacionais.
Analistas também veem o movimento como parte de uma tendência de consolidação no setor de alimentos e bebidas, pressionado por novas marcas locais, custos energéticos e mudança no perfil de consumo.
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