XP cria fundo para recuperar perda com COE da Ambipar

XP cria fundo para tentar recuperar perdas do COE da Ambipar. Entenda o que aconteceu e veja as diferenças entre os produtos da XP e do BTG.
COE da Ambipar

A derrocada do COE da Ambipar virou um caso emblemático no mercado financeiro. O produto estruturado — vendido como alternativa sofisticada de investimento atrelada a títulos de ívida da companhia — acabou resultando em perdas expressivas para milhares de , reacendendo o debate sobre risco, transparência e assimetria de informação.

Agora, a as corretoras buscam alternativas para e, por exemplo, a estaria se preparando para lançar um fundo exclusivo, o Recovery AMB FIM IE RL, voltado aos clientes afetados pela liquidação do COE. A ideia é permitir que os investidores tentem recuperar parte das perdas, comprando, a preços de liquidação, os bonds da Ambipar negociados no mercado internacional.

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Segundo fontes ouvidas pelo Valor Investe, o fundo estaria em fase pré-operacional e seria oferecido apenas aos investidores que tiveram prejuízo no COE original, com investimento mínimo de R$ 50 e taxa de administração simbólica de 0,10% ao ano.


O que aconteceu com o COE da Ambipar

Os Certificados de Operações Estruturadas (COE) da Ambipar foram vendidos como produtos que ofereciam exposição internacional com limitação de risco. No entanto, uma cláusula de liquidação antecipada automática — prevista no regulamento — acabou pegando investidores de surpresa.

Quando os títulos de dívida da Ambipar caíram mais de 50% no mercado secundário, a foi obrigada a encerrar a operação imediatamente.
Resultado: o investidor recebeu cerca de 7% do valor investido no encerramento, além dos 20% em juros acumulados durante o período da aplicação.
Mesmo assim, as perdas médias chegaram a 73% do capital — uma das maiores já registradas nesse tipo de produto.

Especialistas avaliam que, embora a execução automática estivesse descrita no DIE (Documento de Informações Essenciais), o episódio evidencia um problema crônico de comunicação: muitos investidores não entenderam o risco real de perda do principal, acreditando que o produto era protegido.


Fundo para quem quer “pagar para ver”

O novo fundo da XP teria um objetivo claro: dar uma segunda chance a quem acredita na recuperação da Ambipar.
Ele pretende investir diretamente nos títulos de dívida da empresa, hoje negociados a apenas 10% a 15% do valor de face, apostando que a companhia possa honrar parte das obrigações e gerar algum ganho futuro.

O produto, entretanto, não é isento de riscos. A XP teria afirmado que não recomenda o investimento, apenas o disponibiliza aos clientes interessados em tentar reaver parte do prejuízo.
Como a Ambipar segue operando e seus papéis continuam listados no exterior, a performance do fundo dependerá totalmente da recuperação da empresa.


Diferenças entre os COEs da XP e do BTG

O caso do COE da Ambipar também escancarou o quanto as estruturas desses produtos variam entre instituições.
No COE da XP, a liquidação foi automática quando os títulos caíram 50%, independentemente da vontade do investidor.

Já o Pactual adotou uma regra mais flexível: o vencimento antecipado só ocorre se a Ambipar atrasar o pagamento dos juros por mais de 21 dias, previstos para janeiro de 2026.
Isso significa que o cliente do BTG pode “pagar para ver” e manter a posição, apostando em uma eventual recuperação da empresa. No COE da XP, o investidor foi forçado a sair. No do BTG, a decisão depende da . Esse detalhe muda completamente a experiência do cliente, teria explicado Diego Ramiro, presidente da Abai (Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos).

A comparação reforça a complexidade do COE e o desafio de comunicar riscos de forma clara — especialmente quando se trata de produtos vendidos ao público de varejo.


O que o caso do COE da Ambipar revela

O episódio é um lembrete incômodo para o mercado: o investidor médio ainda entende pouco sobre produtos estruturados.
Para Ana Laura Magalhães, especialista em investimentos, há um “descompasso entre a complexidade do COE e a simplicidade da venda”.

“O COE é um produto sofisticado, com derivativos e barreiras automáticas, mas vendido como algo fácil e seguro. Muitos investidores olham apenas o nome da corretora e a projetada, sem entender o ativo de fato — no caso, os títulos da Ambipar”, afirma.

O advogado Thomas Felsberg, do escritório Felsberg Advogados, complementa que não houve ilegalidade, mas sim assimetria de informação: “O documento previa o risco, mas pouca gente leu ou compreendeu o que significava uma liquidação antecipada”.

Para alguns analistas, o COE precisa passar por um “rebranding”.

“Esse produto é útil em determinadas estratégias, mas o mercado precisa de mais transparência, e clareza. O episódio da Ambipar é um divisor de águas”, diz Magalhães.

 

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