As ações da Guararapes (GUAR3), controladora da Riachuelo, seguem em forte alta em 2025, acumulando valorização superior a 45% no ano. O movimento reflete a melhora operacional da empresa, o lucro recorde no segundo trimestre e o otimismo de analistas que veem espaço para ganhos adicionais, especialmente com a perspectiva de queda na taxa Selic nos próximos meses.
Segundo especialistas de BTG Pactual, XP Investimentos e Itaú BBA, a Guararapes está “no caminho certo” para reduzir a distância em relação às concorrentes C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3), com avanços importantes em produtividade, margem e estratégia comercial.
Ações disparam com lucro recorde e ganhos de eficiência
O desempenho recente da Guararapes tem sido impulsionado pela melhora da operação da Riachuelo e pelos resultados acima das expectativas. No segundo trimestre de 2025, a empresa registrou lucro líquido de R$ 143 milhões, um salto de 150% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número superou as estimativas de mercado e marcou o maior lucro trimestral da história da companhia.
Além disso, a receita líquida cresceu de forma consistente, sustentada pela expansão de vendas e pela maior eficiência das operações industriais. A margem bruta atingiu 53,4%, aumento de 2,1 pontos percentuais em um ano, refletindo ganhos de produtividade, menor nível de descontos e um mix de produtos mais qualificado.
Segundo o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, a ação é uma das mais promissoras do setor:
“A Guararapes ainda é considerada uma aposta de maior risco entre as varejistas de vestuário, mas seu preço sobre valor patrimonial (P/VP) é um dos mais baixos do mercado. Isso cria um potencial de valorização expressivo, especialmente se a Selic continuar a cair.”
Casas de análise reforçam recomendações de compra
O BTG Pactual iniciou cobertura da Guararapes com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 13, destacando o forte momento operacional e a retomada da rentabilidade. A XP Investimentos revisou seu preço-alvo para R$ 14 e também mudou sua recomendação para compra, enquanto o Itaú BBA incluiu a ação na carteira Radar de Preferências, estimando valorização adicional de mais de 20%.
De acordo com cálculos do Itaú BBA, GUAR3 ainda negocia com desconto de 13% em relação à C&A e 23% frente à Renner. O banco acredita que esse diferencial deve diminuir à medida que a empresa continue a entregar melhorias consistentes em sua estrutura operacional.
Os analistas do BTG destacam também a reorganização da estrutura administrativa e a retomada de investimentos em tecnologia, supply chain e marketing, pontos que fortalecem o posicionamento da marca Riachuelo e ampliam sua competitividade frente aos pares.
Experiência do consumidor e modernização da marca
O relatório da XP, intitulado “Vestida para o sucesso”, aponta que a Guararapes tem apostado em estratégias centradas na experiência do consumidor. As mudanças incluem o uso de tecidos diferenciados e exclusivos, novos layouts de lojas e campanhas de branding com maior apelo de moda.
Essas iniciativas ainda estão em fase inicial, mas os analistas acreditam que podem aumentar o engajamento e o ticket médio no médio prazo. “A estratégia de reforçar a percepção de qualidade e exclusividade é fundamental para o novo ciclo da Riachuelo”, pontua o relatório.
Outro pilar da recuperação é a verticalização da produção. A fábrica própria da empresa agora é responsável por cerca de 50% do volume de moda, ante 35% no ano anterior, o que melhora o controle de qualidade e reduz custos logísticos.
Midway: o braço financeiro como motor de crescimento
A Midway Financeira, controlada pela Guararapes, continua sendo um diferencial competitivo importante. Com uma carteira de crédito de R$ 5,6 bilhões, o braço financeiro é um dos maiores entre as varejistas brasileiras.
O Cartão Riachuelo responde por 32% das vendas totais, um avanço em relação aos 29% observados na Lojas Renner. O BTG Pactual ressalta que a Midway é uma das principais fontes de rentabilidade da companhia, além de contribuir para aumento de fidelização e geração de dados de consumo.
No entanto, o desafio está em manter a inadimplência sob controle em um cenário ainda de juros elevados, o que exige disciplina na concessão de crédito e maior uso de tecnologia para análise de risco.
Desafios e próximos passos
Apesar dos avanços, a Guararapes ainda enfrenta custos operacionais acima dos concorrentes. A margem líquida da empresa é de 5,4%, bem abaixo dos 9,7% da C&A e 11,1% da Renner.
Além disso, as vendas por metro quadrado, de cerca de R$ 8,3 mil/ano, estão 59% abaixo da Renner e 28% menores que as da C&A. Segundo o Itaú BBA, a companhia precisa continuar investindo em eficiência fabril e omnicanalidade para alcançar o mesmo nível de produtividade dos pares.
Mesmo assim, os analistas mantêm otimismo com o futuro da empresa. “A Guararapes vem entregando evolução em quase todos os indicadores e deve se beneficiar de um cenário macroeconômico mais favorável, com juros menores e melhora da renda das famílias”, afirma Mollo.
Perspectivas para os próximos trimestres
Com a expectativa de início do ciclo de queda da Selic, o varejo tende a se tornar um dos setores mais beneficiados, e a Guararapes (GUAR3) aparece entre os nomes mais promissores.
A redução do custo de crédito favorece o consumo e, consequentemente, o desempenho de companhias voltadas ao público de média renda, como a Riachuelo. Além disso, a reestruturação administrativa e a ampliação da presença digital devem continuar impulsionando as margens.
No curto prazo, o mercado acompanha de perto os próximos resultados trimestrais, que podem confirmar a tendência de melhora consistente da companhia. Caso a Guararapes mantenha o ritmo atual, analistas acreditam que o papel pode superar os R$ 14 nos próximos 12 meses, consolidando-se como um dos destaques do varejo brasileiro em 2025.