Uma ação do agronegócio listada na B3 pode ter um salto de 63,6% nos próximos 12 meses, segundo relatório do BTG Pactual. A instituição financeira manteve a recomendação de compra para os papéis da Camil (CAML3), destacando que a companhia atravessa uma fase de recuperação gradual das margens e melhora operacional após um início de ano mais fraco.
Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, que assinam o relatório, afirmam que o desempenho recente da Camil indica uma retomada de fôlego, sustentada por receitas mais fortes e custos em queda. Apesar de a lucratividade ainda estar abaixo do esperado, o banco acredita que o pior já passou e vê espaço para valorização expressiva nos papéis.
Lucro menor, mas receita acima das expectativas
No segundo trimestre fiscal de 2025 — encerrado em agosto —, a Camil registrou lucro líquido de R$ 78,7 milhões, uma queda de 33,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando havia lucrado R$ 118,8 milhões. Apesar disso, a receita líquida atingiu R$ 3 bilhões, cerca de 10% acima das projeções do BTG Pactual.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 243 milhões, com margem de 8,1%. A melhora se deve, principalmente, à redução dos custos com açúcar, que ajudou a compensar o desempenho mais fraco em mercados internacionais.
Segundo o BTG, a margem no Brasil cresceu 0,4 ponto percentual, enquanto no exterior caiu 3,2 pontos, pressionada por resultados mais fracos no Peru. Mesmo assim, os analistas consideram que o trimestre mostrou recuperação sequencial e estabilidade operacional.
Por que o BTG vê potencial de alta de 63,6%
O BTG Pactual mantém recomendação de compra para Camil (CAML3) e preço-alvo de R$ 8 por ação — o que representa uma valorização potencial de 63,6% em relação ao fechamento de sexta-feira (10), quando o papel encerrou o pregão a R$ 4,89.
De acordo com os analistas, a empresa segue bem posicionada no mercado alimentício, com marcas fortes e presença consolidada em segmentos essenciais, como arroz, açúcar e grãos. O banco destaca que a Camil tem mostrado capacidade de manter volumes estáveis e diversificar receitas, mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador.
“Os resultados continuam longe da história que imaginávamos — construída em um portfólio diversificado e marcas líderes —, mas vemos sinais de recuperação e margem em evolução. Há espaço para ganhos relevantes nos próximos trimestres”, escreveram Duarte e Guttilla.
O relatório também ressalta que as categorias de produtos ainda estão operando abaixo da capacidade total, o que cria potencial de expansão de margens no médio prazo.
Riscos: endividamento e queda do arroz
Apesar da visão positiva, o BTG pondera que a Camil ainda enfrenta desafios, especialmente relacionados ao endividamento elevado. Parte significativa de suas dívidas está atrelada ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), o que aumenta os custos financeiros em períodos de juros altos.
Além disso, a queda dos preços do arroz no mercado internacional tem reduzido a rentabilidade do principal produto da companhia, o que limita o crescimento do lucro líquido no curto prazo.
Mesmo com esses fatores de risco, o banco acredita que o fluxo de caixa deve melhorar nos próximos trimestres, à medida que a empresa ajusta seu portfólio, reduz custos logísticos e fortalece a operação na América Latina.
Camil: uma aposta no agronegócio com potencial de valorização
A Camil (CAML3) é uma das maiores empresas de alimentos do Brasil, com atuação em 14 países da América do Sul e presença relevante no segmento de arroz, feijão, açúcar, pescados e grãos. A companhia tem buscado diversificar suas fontes de receita, ampliando o portfólio e melhorando a eficiência produtiva.
O agronegócio brasileiro segue sendo um dos motores da economia nacional, e empresas com estrutura integrada e marcas reconhecidas — como a Camil — têm mostrado resiliência e potencial de valorização mesmo em momentos de volatilidade.
Segundo o BTG, o foco da companhia em rentabilidade, controle de custos e expansão para novos mercados deve impulsionar o valor de suas ações ao longo de 2026, especialmente se o ambiente de juros começar a ceder.
Perspectiva para investidores
Para investidores, o relatório do BTG reforça que a Camil pode ser uma opção estratégica dentro do setor do agronegócio, oferecendo bom potencial de valorização e diversificação da carteira.
Apesar do cenário ainda desafiador, o banco acredita que os fundamentos sólidos da empresa e a retomada das margens tornam o ativo uma das principais apostas entre as ações de alimentos e agronegócio na Bolsa brasileira.
A recomendação é de compra, com perspectiva de valorização de até 63,6% em 12 meses, caso as projeções de recuperação de margem e controle de custos se confirmem.