As ações da Xiaomi (HKG: 1810) despencaram 7,8% nesta segunda-feira (13) após um grave acidente envolvendo um carro elétrico SU7 Ultra, modelo premium lançado neste ano pela gigante chinesa de tecnologia. O veículo pegou fogo após colidir em alta velocidade em uma via expressa de Chengdu, cidade no sudoeste da China, e o caso ganhou grande repercussão nas redes sociais chinesas.
Vídeos publicados no Douyin (versão chinesa do TikTok) mostram o automóvel completamente em chamas e pedestres tentando quebrar os vidros para resgatar o motorista — sem sucesso. Testemunhas relataram que as portas travaram automaticamente após o impacto, impossibilitando a fuga das vítimas.
De acordo com portais locais, como 163.com, o acidente ocorreu por volta das 3h16 da manhã, e os bombeiros foram acionados cerca de dez minutos depois. O motorista foi encontrado sem vida dentro do veículo.
Tragédia reacende debate sobre segurança dos carros elétricos
O episódio reacendeu discussões sobre a segurança estrutural e os sistemas eletrônicos de bloqueio automático em veículos elétricos, especialmente em modelos com design de portas sem maçanetas tradicionais — recurso que se tornou símbolo de modernidade, mas que pode representar risco em situações de emergência.
Até o momento, a Xiaomi Auto não emitiu comunicado oficial sobre o caso. As autoridades locais informaram que a causa exata do incêndio ainda está sob investigação, mas vídeos analisados por especialistas apontam que o fogo começou na parte frontal, o que sugere possível falha na bateria de alta voltagem ou curto-circuito após o impacto.
Este é o segundo acidente grave envolvendo o modelo SU7 desde março, quando um veículo da mesma linha se chocou em uma rodovia e três estudantes universitárias morreram.
Impacto imediato no mercado: ações despencam em Hong Kong
A repercussão foi instantânea. Na Bolsa de Hong Kong, as ações da Xiaomi chegaram a cair 7,8%, encerrando o pregão com recuo de 6,5%, no pior desempenho desde julho.
O volume de negociação foi quase três vezes superior à média diária, refletindo o nervosismo dos investidores com a credibilidade da nova divisão automotiva da marca.
Analistas destacam que o caso pode comprometer a imagem da Xiaomi Auto, que entrou no mercado de veículos elétricos em 2024 com a promessa de revolucionar o setor. O SU7 Ultra, vendido como rival direto do Tesla Model S, era peça-chave da estratégia para diversificar o portfólio da empresa além de smartphones e eletrônicos.
Risco de dano à marca e pressão regulatória
Especialistas alertam que o impacto pode ir além do mercado acionário. “Um acidente desse porte, amplamente divulgado e com suspeita de falha estrutural, pode gerar intervenção das autoridades de segurança veicular chinesas, além de quedas de vendas e processos de recall, dependendo das conclusões da investigação”, afirmou o analista Chen Rui, da consultoria SinoAuto Research.
A China Automotive Technology and Research Center (CATARC) informou que as novas normas de segurança sobre travas e maçanetas eletrônicas entram em vigor ainda este ano — e que o caso da Xiaomi deve acelerar sua implementação.
Nas redes chinesas, a comoção é forte. Hashtags relacionadas ao acidente ultrapassaram 120 milhões de visualizações no Weibo, e muitos usuários questionam se “a pressa em competir com a Tesla custou a segurança dos consumidores”.
Xiaomi promete investigar o caso e cooperar com autoridades
Em breve nota divulgada na tarde desta segunda-feira, a Xiaomi Auto disse que “lamenta profundamente o ocorrido”, que está “colaborando com as autoridades locais” e que “prioriza a segurança e a transparência em todas as suas investigações”.
A empresa afirmou ainda que seus veículos seguem todos os padrões de segurança exigidos na China, e que um relatório técnico será divulgado “assim que houver conclusões oficiais”.
Apesar do tom conciliador, o mercado reagiu com desconfiança. O SU7 Ultra é um dos modelos mais caros da marca, com preço inicial equivalente a US$ 60 mil, e representa a aposta mais ambiciosa da Xiaomi no segmento automotivo.
Para investidores, a combinação de crises de imagem, dúvidas sobre segurança e queda nas ações cria um cenário delicado.
A fabricante, que já enfrentava margens apertadas no setor de smartphones, agora vê sua nova divisão sob intensa pressão — tanto de consumidores quanto de reguladores.