A Braskem (BRKM5) entrou novamente no centro das atenções do mercado após anunciar a contratação de assessores financeiros para avaliar alternativas de reestruturação. O movimento, revelado nesta sexta-feira (26), levou a forte queda nas ações da petroquímica e reacendeu os temores de que a companhia possa recorrer a uma recuperação judicial (RJ) ou extrajudicial (RE).
Embora o anúncio não traga uma sinalização direta de pedido de RJ, analistas e investidores avaliam que a medida reflete a gravidade da situação financeira da empresa. Fontes próximas à companhia afirmam que, em cenários semelhantes, a contratação de consultores foi precursora de processos de proteção contra credores.
Dívida elevada e consumo de caixa
A Braskem (BRKM5) fechou o segundo trimestre de 2025 com dívida líquida de US$ 6,8 bilhões e índice de alavancagem em 10,59 vezes o EBITDA. Apenas entre abril e junho, a companhia queimou R$ 1,4 bilhão em caixa, pressionada por margens mais fracas e custos operacionais elevados em um setor intensivo em capital.
Os números refletem não apenas a conjuntura macroeconômica adversa, mas também o histórico de problemas da petroquímica. O passivo ambiental bilionário em Maceió, resultado do afundamento do solo que atingiu bairros inteiros, continua pesando nos balanços e afugentando potenciais investidores.
Agências de rating vêm rebaixando a nota da Braskem (BRKM5). Nesta semana, a S&P cortou a classificação de B+ para BB-, com perspectiva negativa, destacando que a melhora recente da rentabilidade não seria suficiente para reduzir o risco financeiro no curto prazo.
Impacto sobre novos investidores
No centro das discussões está a fatia de controle detida pela Novonor (ex-Odebrecht), que tenta vender sua participação como parte de sua própria sobrevivência financeira. Empresas e investidores como Lyondell, Unipar, Nelson Tanure e G4 chegaram a avaliar a aquisição, mas as negociações não avançaram.
Segundo especialistas, a simples possibilidade de RJ torna ainda mais difícil atrair novos compradores. “A Braskem (BRKM5) pode perder valor rapidamente. A Petrobras, que é sócia relevante, não injeta recursos, e um processo de RJ criaria insegurança jurídica para qualquer investidor”, explica Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital.
Além disso, a participação da Petrobras impõe entraves adicionais, seja pelo peso político da estatal, seja pela burocracia para aprovar decisões estratégicas.
O papel dos acionistas e dos credores
Para a Novonor, a venda da participação na Braskem (BRKM5) é vital, já que sem o ativo a holding teria apenas dívidas. Do lado dos bancos credores, como Caixa e Bradesco, há receio de reconhecer prejuízos imediatos em caso de RJ, o que cria resistência a um processo formal de recuperação.
“Apesar do temor, vejo maior chance de uma solução negociada. A tendência é que a Novonor venda parte da sua fatia, bancos alienem suas posições e um novo investidor injete capital para tentar recuperar a empresa”, avalia Queiroz.
Essa saída negociada é vista como preferível também para preservar valor de mercado, já que a RJ poderia afastar potenciais compradores e comprometer a capacidade de retomada da petroquímica.
Pressão do tempo
O consenso é que a Braskem (BRKM5) precisa de uma solução rápida. Quanto mais o tempo passa, maior o risco de deterioração dos ativos, perda de valor de mercado e retração da confiança dos credores. O desafio é conciliar os interesses de Novonor, Petrobras, bancos e investidores externos em um plano que evite a recuperação judicial e permita à companhia retomar a competitividade.
Enquanto isso, o mercado continua penalizando os papéis. A forte queda desta sexta-feira reflete a percepção de risco crescente e o temor de que, sem injeção de capital, a empresa não consiga sustentar seu nível de endividamento.
Indicadores financeiros da Braskem (BRKM5)
| Indicador | 2T24 | 2T25 | Variação |
|---|---|---|---|
| Dívida líquida | US$ 6,1 bi | US$ 6,8 bi | +11% |
| Alavancagem (Dívida/EBITDA) | 8,5x | 10,59x | +2,09x |
| Consumo de caixa | R$ 600 mi | R$ 1,4 bi | +133% |