A Petrobras (PETR4) informou que está monitorando o impacto da tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida foi comunicada pelo presidente Donald Trump em carta oficial enviada ao governo do Brasil, em que justificou a ação com base em preocupações políticas e desequilíbrio comercial.
Em nota divulgada na quarta-feira (9), a Petrobras afirmou que manterá sua estratégia global de buscar as melhores oportunidades de mercado, independentemente do cenário geopolítico.
Ações da Petrobras reagem com queda
Logo após o anúncio, os ADRs da Petrobras (PBR e PBRa) negociados na Bolsa de Nova York caíram quase 2% no pré-mercado. Já na B3, as ações PETR4 abriram em queda de 1%, a R$ 32,00, enquanto PETR3 recuava 0,54%, a R$ 35,08.
A volatilidade reflete a apreensão do mercado quanto ao impacto da tarifa na Petrobras, principalmente sobre suas receitas com exportações para os EUA.
Analistas enxergam impacto limitado
De acordo com a XP Investimentos, aproximadamente 4% da receita da Petrobras vem de exportações de petróleo bruto e refinado para os Estados Unidos. Já o BTG Pactual aponta que, embora os combustíveis da estatal representem cerca de 37% das exportações brasileiras ao país, os volumes são relativamente pequenos e podem ser redirecionados sem grandes prejuízos.
O Bradesco BBI e a Ágora Investimentos também destacam que ainda não está claro se o petróleo será incluído na tarifa. “Caso seja incluído, a empresa pode buscar novos mercados, mesmo que com algum desconto nos preços”, afirmam os analistas Vicente Falanga e Ricardo França.
Possíveis redirecionamentos e novos mercados
A consultoria StoneX aponta que a tarifação pode alterar o perfil dos compradores do petróleo brasileiro, com possível aumento na participação de países asiáticos. Isso seria uma consequência da perda de competitividade nos EUA, exigindo novos canais de escoamento.
Em um cenário mais adverso, a consultoria vê possibilidade de queda nas exportações até que a Petrobras ajuste suas rotas comerciais.
Panorama comercial entre Brasil e EUA
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o país sul-americano exportou cerca de US$ 7,6 bilhões em petróleo e combustíveis para os norte-americanos — representando 18,8% das exportações do setor.
Por isso, o impacto da tarifa na Petrobras levanta atenção, mesmo que o efeito direto sobre a companhia seja considerado limitado, dada a sua diversificação de mercados.
Impacto pode ser administrável
Apesar da reação negativa inicial no mercado, o impacto da tarifa na Petrobras pode ser administrável, segundo especialistas. A estatal possui flexibilidade comercial e um posicionamento global que lhe permite redirecionar exportações e mitigar riscos.
A incerteza persiste, e os investidores devem acompanhar os desdobramentos diplomáticos e comerciais nos próximos dias, além de possíveis ajustes nas estratégias de exportação da Petrobras.