Navegando pelo Panorama em Evolução da Alimentação, Bebidas e Agronegócio: Análises e Oportunidades de Investimento

Navegando pelo Panorama em Evolução da Alimentação, Bebidas e Agronegócio: Análises e Oportunidades de Investimento

As empresas de agronegócio estão recomprando suas próprias ações em um ritmo crescente e o ciclo avícola está com elevada rentabilidade.
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Mudanças recentes no setor de Alimentos, Bebidas e Agronegócio foram observados nas últimas semanas. Neste artigo, vamos buscar fazer uma análise detalhada sobre o desempenho das empresas envolvidas. Aprofundamo-nos nas recentes recompras de ações de algumas empresas do agronegócio, destacamos o crescimento explosivo das usinas de etanol de milho e enfatizamos a importância estratégica da diversificação da JBS. Além disso, há uma atualização sobre o ciclo de proteína avícola, ressaltando que os níveis recordes de margens não são sustentáveis a longo prazo.

 

Recompras de Ações: Uma tendência em crescimento Agro

Nos últimos tempos, as recompras de ações têm ganhado destaque entre as empresas que integram nossa cobertura. Essa estratégia, que consiste na aquisição de suas próprias ações no mercado, tem sido cada vez mais adotada como forma de recompensar os acionistas. Mas por que essa prática está em alta?

  1. Taxas eeais de Longo Prazo e alocação de capital: Com as taxas reais de juros de longo prazo ultrapassando 6%, a alocação eficiente de capital tornou-se um desafio. Os retornos necessários para justificar novos investimentos estão consideravelmente mais elevados. Nesse cenário, algumas empresas preferem não se aventurar em novos projetos e, em vez disso, optam por recomprar suas próprias ações.
  2. Valuations e baixa alavancagem: Os valuations deprimidos no mercado de ações e os baixos índices de alavancagem de algumas empresas aumentam a atratividade dos programas de recompra. A alocação do fluxo de caixa livre por meio dessas recompras pode ser uma estratégia eficaz para impulsionar o valor percebido pelos acionistas.
  3. Exemplos recentes observados no mercado:
    • A SMTO intensificou significativamente suas recompras de ações recentemente.
    • A Marfrig mantém níveis consistentemente elevados de remuneração aos acionistas por meio de programas de recompra.
    • Ambev e BRF também aceleraram o ritmo de recompras, embora em menor grau.
  4. Variações no comportamento empresarial: Por outro lado, algumas empresas, como a SLC, estão desacelerando o ritmo de recompras ou até mesmo paralisando-as totalmente, como visto também no caso da JBS.

As ações dos frigoríficos disparam na bolsa

Expansão do Etanol de Milho no Brasil

Nos últimos anos, a produção de etanol de milho no Brasil tem chamado a atenção devido à sua rápida expansão. O aumento da capacidade produtiva é resultado de vários fatores:

  1. Ampliação do Complexo Industrial: O número de usinas de etanol de milho no Brasil tem aumentado significativamente nos últimos anos. O país deverá produzir 6 bilhões de litros de etanol de milho na safra 2023/2024, representando um crescimento de 36% em relação ao ano anterior e um impressionante aumento de 800% nos últimos cinco anos1.
  2. Adoção de Tecnologias Eficientes: A indústria tem adotado tecnologias que aumentam o rendimento industrial, tornando a produção de etanol de milho mais eficiente. Isso contribui para a expansão desse segmento no mercado de biocombustíveis.
  3. Demanda Internacional por Biocombustíveis: O etanol de milho tem se mostrado mais rentável do que o etanol de cana-de-açúcar. Com a crescente demanda internacional por biocombustíveis, o Brasil tem investido em parques industriais de etanol de milho, totalizando mais de R$ 15 bilhões em investimentos1.

A projeção é otimista: até 2030, estima-se que o Brasil produzirá 10 bilhões de litros de etanol de milho, representando 20% do mercado de biocombustíveis no país. Essa tendência é suportada pela crescente produção de milho, especialmente na segunda safra, que tem dominado a produção nacional desde 20111.

Viabilidade de Usinas de Etanol de Milho no Brasil

Analistas do BTG Research conduziram um estudo detalhado sobre a implantação de novas usinas de etanol de milho no Brasil. Vamos analisar os principais pontos levantados:

  1. Investimento Inicial e Capacidade de Produção:
    • Estimou-se que uma usina de etanol à base de milho, com capacidade para produzir 200 mil m³ de etanol por ano e cerca de 130 mil toneladas de DDG (Distillers Dried Grains), teria um custo aproximado de R$ 1 bilhão.
    • O modelo de análise considerou um investimento inicial de R$ 5 por litro de etanol produzido.
  2. Cálculo da Taxa Interna de Retorno (TIR):
    • Com base nos preços atuais, a TIR real desalavancada foi estimada em 15,5%.
    • Supondo que o preço do etanol aumente para 70% do preço da gasolina na bomba em São Paulo (R$ 2,79/litro) e considerando o preço atual do milho (R$ 40/saca), a TIR saltaria para 23%.
  3. Riscos e Considerações:
    • Usinas independentes de milho podem enfrentar desafios relacionados ao fornecimento de energia. A TIR real para esses projetos pode ser aproximadamente 10 pontos percentuais menor.
    • O preço do DDG, que está correlacionado com os preços dos cereais (milho), é um fator crítico. Com muitas novas usinas em operação, os preços do DDG caíram, afetando a rentabilidade esperada.
    • No caso da SMTO, as vendas de DDG cobriram menos de 30% dos custos de milho no último ano, em comparação com mais de 40% historicamente.

Diversificação Estratégica da JBS

A JBS, gigante do setor de proteínas, tem adotado uma estratégia de diversificação que desempenha um papel fundamental em sua resiliência e crescimento. Vamos analisar os principais aspectos dessa abordagem:

  1. Ciclos do Gado e Margens:
    • Os ciclos do gado envolvem duas fases: retenção (quando os agricultores mantêm novilhas para aumentar o rebanho) e liquidação (quando a oferta de animais é alta).
    • Os frigoríficos enfrentam desafios nesses ciclos. Quando a oferta é alta, eles podem adquirir gado a preços menores, melhorando as margens. Por outro lado, a escassez de gado leva a preços mais altos.
    • Cerca de 80% dos custos dos frigoríficos estão relacionados à aquisição de gado.
  2. Diversificação como Ferramenta Estratégica:
    • A JBS reconhece que os ciclos das proteínas não se movem na mesma direção. Essa compreensão a levou a diversificar suas operações.
    • O frango, por exemplo, é um substituto natural da carne bovina quando os preços desta última aumentam. A JBS se beneficia diretamente disso, pois suas margens de frango historicamente se correlacionam negativamente com as margens de carne bovina nos EUA.
  3. Austrália e Tendências de Mercado:
    • A operação de carne bovina da JBS na Austrália também desempenha um papel importante. Com a redução do abate de novilhas nos EUA e a diminuição do rebanho total, os preços do gado provavelmente aumentarão.
    • Isso torna as importações de carne bovina para os EUA mais atrativas, mesmo após o pagamento de impostos de importação. Essa dinâmica beneficia tanto o Brasil quanto a Austrália.
    • As exportações acumuladas de carne bovina da Austrália para os EUA já aumentaram quase 30%.
  4. Protegendo Margens e Oportunidades de Retorno:
    • A JBS, por meio de suas subsidiárias como a Pilgrim’s e a US Pork, não apenas se beneficia da desaceleração do ciclo bovino nos EUA, mas também protege suas margens consolidadas da oferta limitada de gado.
    • Mesmo durante um ciclo fraco de pecuária nos EUA, a JBS mantém uma sólida geração de caixa, o que a posiciona como uma das melhores opções de risco-retorno no setor de proteínas na América Latina.

Oferta de Aves e Margens no Setor Avícola: Uma Análise Estratégica

Em nossa análise recente, abordamos o aumento significativo na colocação de pintos no acumulado do ano, com a primeira metade de 2024 atingindo um recorde histórico. Agora, com dados atualizados, reforçamos a perspectiva de que uma maior oferta de aves está a caminho e que as margens atuais do setor não são sustentáveis a longo prazo.

Vamos examinar os principais pontos:

  1. Dados e Tendências:
    • Os números de junho indicam uma colocação esperada de 574 milhões de pintinhos, impulsionando um crescimento de 2% no primeiro semestre de 2024 em relação ao ano anterior.
    • Se a colocação média de pintinhos em junho (23 milhões/dia) se mantiver nos próximos meses, veremos um crescimento expressivo, com 2,4 bilhões de pintinhos alojados de julho a outubro (aumento de 6% ao ano).
  2. Relação entre Margens e Oferta:
    • Historicamente, quando as margens estão elevadas, ocorre uma resposta natural: maior oferta. Essa capacidade de expansão existe, com os criadouros de aves crescendo 8% ao ano em 2023, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).
    • Parte do aumento da oferta da Seara (JBS) ainda não chegou totalmente ao mercado, o que contribuirá para aumentar ainda mais a disponibilidade de aves.
  3. Ciclos Avícolas e Perspectivas Futuras:
    • Os ciclos avícolas são rápidos e previsíveis. A elevada rentabilidade incentiva os agricultores a expandir o número de criadouros, impulsionando a colocação de pintinhos.
    • Acreditamos que a oferta continuará a crescer até atingir um ponto em que os preços cairão.
  4. Projeções para BRF e Seara (JBS):
    • No curto prazo, não esperamos mudanças significativas na situação. Portanto, a BRF e a Seara (JBS) provavelmente continuarão a divulgar resultados sólidos nesta divisão.
    • Embora não possamos prever exatamente quando o ciclo mudará, nossa confiança aumenta na ideia de que as margens atuais não são sustentáveis a longo prazo.

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