A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) adiou, pela segunda vez, a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da BRF, que estava marcada para o dia 14 de julho. O encontro visa deliberar sobre a fusão entre Marfrig e BRF, mas segue suspenso após a autarquia acolher protestos de acionistas minoritários.
A CVM entendeu que a documentação apresentada pelas companhias ainda apresenta lacunas e não permite aos acionistas uma avaliação adequada da operação. A principal crítica gira em torno da relação de troca de ações, ponto central da fusão.
A AGE já havia sido adiada anteriormente — inicialmente prevista para o dia 18 de junho — e, agora, será postergada por pelo menos mais 21 dias.
Falta de transparência é o ponto-chave
Em sua decisão, a CVM acompanhou o parecer técnico da Superintendência de Relações com Empresas (SEP). O órgão recomendou o adiamento para garantir que os investidores tenham acesso a informações mais detalhadas sobre os critérios que definiram os termos da fusão.
A autarquia destacou que os dados divulgados não trazem clareza suficiente sobre os valores envolvidos, tampouco sobre o método de avaliação utilizado para chegar à relação de troca das ações entre Marfrig e BRF.
Essas informações são consideradas essenciais para que os acionistas possam tomar uma decisão bem fundamentada sobre o futuro das duas empresas. Sem isso, a CVM considera que não há condições adequadas para realizar a assembleia.
Minoritários pressionam e operação se arrasta
A decisão de adiar a assembleia atende diretamente aos questionamentos feitos por acionistas minoritários da BRF, que alegam que a operação poderia prejudicar seus interesses. A principal crítica é que a equidade na relação de troca não está claramente demonstrada, o que levanta dúvidas sobre a imparcialidade do acordo.
O colegiado da CVM aprovou a nova postergação por unanimidade, reforçando o entendimento de que uma operação desse porte exige total transparência e divulgação de informações completas.
Além disso, a CVM ressaltou que investigações adicionais serão necessárias para analisar possíveis abusos nos termos da operação.
Impactos da decisão e próximos passos
Com o novo adiamento, o processo de fusão entre Marfrig e BRF volta a ficar indefinido, mesmo com expectativa do mercado por uma solução ainda em 2025. Analistas avaliam que o prolongamento do impasse pode afetar o desempenho das ações e a confiança dos investidores, especialmente os institucionais.
Até o momento, Marfrig e BRF ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o novo adiamento da AGE.
A fusão é considerada estratégica para consolidar as duas gigantes do setor de proteína animal. A Marfrig já detém cerca de 33% da BRF, e a união das empresas poderia gerar sinergias operacionais, ganho de escala e fortalecimento de presença internacional.
Cenário ainda é incerto
Enquanto a operação segue travada na CVM, cresce a pressão por parte de investidores e órgãos reguladores para que as companhias adotem maior transparência e boa governança.
Analistas destacam que, sem a devida clareza sobre a relação de troca, a fusão pode enfrentar resistência crescente. A tendência é que a CVM exija ajustes nos documentos ou novas apresentações para liberar a realização da assembleia.
O mercado, por sua vez, seguirá atento aos próximos passos e a uma possível nova data para o encontro de acionistas da BRF, que será decisivo para o futuro da fusão com a Marfrig.