A imposição das tarifas de 50% pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros já mostra seus efeitos concretos no setor de pescados. Apenas 24 horas após o anúncio de Donald Trump, 58 contêineres de peixes, camarões e lagostas foram retirados dos portos de Salvador (BA), Pecém (CE) e Suape (PE), por conta da suspensão de compras por parte de empresários norte-americanos.
Segundo Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), cerca de 70% das exportações do setor têm como destino os EUA, o que torna o setor extremamente vulnerável à nova tarifa.
Tarifas de 50% ameaçam empregos e produção no setor de pescados
“O empresário, diante da incerteza, vai interromper a produção, demitir funcionários e buscar escoar o que já foi comprado para exportar em mercados alternativos. Mas isso leva tempo”, alertou Lobo.
Para ele, a decisão de Trump contraria uma tradição histórica de comércio entre Brasil e Estados Unidos. “Exportamos para os EUA há quase 100 anos. O pescado brasileiro faz parte do cardápio americano”, disse.
Cenário de incerteza afeta outros setores além do pescado
A economista Regiane Vieira destacou que os efeitos das tarifas de 50% não devem se limitar ao setor pesqueiro. Segundo ela, outras cadeias produtivas sensíveis às exportações para os EUA, como o setor sucroalcooleiro, uvas e siderurgia, podem enfrentar problemas semelhantes.
“O risco é termos perdas significativas de empregos, especialmente se o mercado interno não conseguir absorver o excedente ou se novos mercados não forem abertos rapidamente”, explicou Regiane.
Tarifas de 50% podem elevar inflação e pressionar o câmbio
Além do impacto direto no comércio exterior, a economista alertou para o risco de aumento inflacionário. Com a elevação das incertezas, há tendência de desvalorização do real, o que encarece os preços dos produtos importados e amplia os custos de produção no Brasil.
“O dólar já mostra alta, e isso afeta toda a cadeia econômica. O Banco Central já declarou que está acompanhando de perto o cenário”, disse.
Produção interna pode absorver parte da oferta, dizem analistas
Apesar dos riscos, Regiane avalia que o atual momento da economia brasileira, com recuperação da renda e aumento do consumo interno, pode ajudar a minimizar os impactos.
“Há uma demanda aquecida no mercado interno, especialmente por alimentos. Isso pode suavizar parte dos efeitos, ao menos nos segmentos de consumo popular”, concluiu.
Tarifas causam forte impacto no comércio
As tarifas de 50% impostas por Donald Trump causaram forte impacto no comércio de pescados do Brasil com os EUA, especialmente no Nordeste. Com contêineres desembarcados e encomendas suspensas, o setor vive incerteza e teme demissões em massa. Economistas alertam para riscos inflacionários e para uma desaceleração nas exportações. Diante disso, empresários e governo estudam estratégias para diversificar mercados e defender os interesses nacionais no cenário internacional.