O FGC do Banco Master se tornou tema recorrente entre analistas e gestores nas últimas semanas. Embora nenhuma irregularidade tenha sido confirmada, dados indicariam que o banco terminou 2024 com aproximadamente R$ 50 bilhões em depósitos, o que representaria quase metade da liquidez total do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que fechou o ano com R$ 107,8 bilhões.
A possibilidade de uma concentração dessa magnitude tem levantado questionamentos sobre o nível de exposição do FGC a um único banco e os possíveis desdobramentos sistêmicos, caso ocorra qualquer evento inesperado com a instituição.
O que é o FGC e como ele se relaciona com o Banco Master
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é um mecanismo privado que protege investidores em caso de falência ou intervenção de instituições financeiras. A cobertura é limitada a R$ 250 mil por conta e até R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ, a cada período de 4 anos.
No caso do Banco Master, especula-se que uma parcela significativa de seus depósitos é composta por CDBs agressivos, que oferecem taxas de retorno superiores à média do mercado — chegando a 140% do CDI em certos momentos. Isso teria atraído milhares de pequenos investidores, todos com direito à cobertura do FGC, elevando o risco de exposição do fundo.
Crescimento acelerado e modelo de captação questionado
A expansão do Banco Master nos últimos anos impressionou o mercado. Entre 2021 e 2024, o banco multiplicou seu patrimônio por dez e quintuplicou a carteira de crédito. Um dos pilares desse crescimento foi justamente a captação por meio de títulos de renda fixa com forte apelo publicitário, sustentando o discurso da segurança dada pelo FGC.
No entanto, especialistas do setor financeiro têm apontado, de forma especulativa, que essa estratégia poderia ser arriscada tanto para o banco quanto para o sistema como um todo. A dúvida central recai sobre a concentração de garantias do FGC do Banco Master e o impacto de uma eventual quebra ou intervenção.
Reestruturação e aquisição parcial pelo BRB
Outro fator que gerou novas discussões foi a anúncio da compra de parte do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). A transação prevê a aquisição de 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais, com valor estimado em R$ 2 bilhões.
Apesar disso, a operação depende de aprovação do Banco Central e do Cade, além da conclusão de diligências que avaliem os riscos e a real estrutura financeira do Master. O mercado se pergunta se a motivação por trás da transação inclui preocupações com a sustentabilidade do banco e a eventual proteção contra efeitos sistêmicos no FGC do Banco Master.
Outra questão debatida por analistas seria a natureza dos ativos que sustentariam o balanço do banco. Parte significativa do patrimônio estaria lastreada em precatórios — créditos de difícil previsibilidade de recebimento. Isso adiciona mais um elemento de incerteza ao risco associado ao FGC do Banco Master.
Há também registros de empréstimos a empresas em dificuldades financeiras, operações com baixa liquidez e alto risco, realizadas direta ou indiretamente por meio de fundos vinculados a investidores com histórico de atuação em reestruturações complexas.
Captação em fundos de pensão e tentativa de bonds
O banco também chamou atenção ao captar recursos junto a fundos de pensão de municípios e estados, um dos destaque seria a cidade do Rio de Janeiro, que teria alocado até R$ 800 milhões em aplicações ligadas ao banco.
Houve ainda uma tentativa frustrada de emissão de bonds no exterior, no valor de US$ 500 milhões, que acabou não avançando. Esses movimentos reforçaram a percepção de que o banco estaria enfrentando desafios para acessar recursos institucionais tradicionais, aumentando sua dependência do varejo — e, por consequência, do FGC.
FGC do Banco Master: o que o mercado teme?
Embora o FGC do Banco Master seja apenas uma parte do universo de garantias do sistema, seu peso isolado poderia ser suficiente para pressionar a liquidez do fundo, caso ocorra um evento extremo. A possibilidade de uma quebra — ainda que improvável e sem qualquer indicativo atual — é discutida em caráter meramente especulativo.
Alguns especialistas consideram que o sistema atual do FGC, criado para evitar pânico bancário, poderia ser testado em sua capacidade operacional caso fosse necessário ressarcir dezenas de milhares de investidores simultaneamente em valores próximos ao limite de cobertura.
O debate sobre o FGC do Banco Master levanta questões importantes sobre concentração de risco, captação bancária no varejo e estabilidade do sistema financeiro. Apesar de nenhuma anomalia ter sido confirmada, os números apurados e os movimentos recentes do banco — como captações agressivas, dependência de precatórios e exposição elevada no FGC — mantêm o setor em alerta.
Cabe destacar que não há qualquer afirmação de irregularidade e que todas as especulações devem ser tratadas com cautela. O que está em jogo é a necessidade de maior transparência e regulação, em um momento em que o sistema bancário brasileiro se adapta às novas formas de captação digital e modelos de negócio com maior apetite a risco.
As informações desta matéria foram retiradas de duas matérias que podem ser conferidas clicando aqui e aqui.