Quando o assunto são dividendos robustos, é inevitável pensar na Petrobras (PETR4). A estatal, que ganhou o apelido de “rainha dos proventos”, possui histórico de remuneração generosa aos acionistas. No entanto, os dividendos da Petrobras enfrentam um novo cenário em 2025, marcado por preços do petróleo mais baixos e uma gestão mais cautelosa.
A CEO da companhia, Magda Chambriard, declarou recentemente que fará “muito esforço” para viabilizar dividendos extraordinários neste ano. Porém, para o analista Ruy Hungria, da Empiricus Research, a chance disso acontecer no curto prazo é baixa.
Por que os dividendos extraordinários são improváveis?
Mesmo com tensões internacionais impulsionando momentaneamente os preços do petróleo, o barril do Brent atualmente gira em torno de US$ 68,60. Para Hungria, seria necessário um patamar superior a US$ 80 para justificar dividendos extras.
Além disso, ele alerta: o cenário atual não comporta dividend yields como os de 20% a 25% vistos anteriormente. O “novo normal”, segundo o analista, é uma faixa de 10% a 12% ao ano — ainda atrativa, mas mais ajustada à realidade.
PETR4 fora da carteira de dividendos?
Apesar da ausência de dividendos extraordinários no radar, as ações da Petrobras continuam sendo boas opções para quem busca renda passiva. Isso porque a empresa mantém uma forte geração de caixa e negocia a preços atrativos — apenas 3,9 vezes o lucro, de acordo com Hungria.
Outro ponto levantado é a desvalorização da PETR4 no ano. Enquanto o Ibovespa sobe mais de 13%, a petroleira acumula queda de 12%. Esse desempenho abre espaço para possível valorização futura.
Riscos e diversificação: não aposte tudo na Petrobras
Apesar de sua atratividade, a Petrobras é uma estatal e, portanto, está sujeita a riscos políticos. Para reduzir essa exposição, Hungria recomenda diversificar a carteira, inserindo outros ativos pagadores de dividendos.
Na avaliação do especialista, os dividendos da Petrobras continuam relevantes para o segundo semestre de 2025, mas o investidor não deve esperar os mesmos retornos de anos anteriores. Ajustar as expectativas e equilibrar o portfólio são estratégias fundamentais.