CPI dos EUA sobe 0,3% em junho e eleva pressão sobre política monetária do Fed

O CPI dos EUA subiu 0,3% em junho, impulsionado por tarifas e pressões inflacionárias, elevando a inflação anual a 2,7% e mantendo o Fed em alerta.

A inflação ao consumidor dos Estados Unidos — o dos (Consumer Price Index) — subiu 0,3% em junho de 2025, segundo dados divulgados nesta terça-feira (15) pelo Departamento do Trabalho. O avanço veio em linha com as expectativas de mercado, que projetavam exatamente esse percentual.

No acumulado de 12 meses, o CPI dos EUA subiu 2,7%, acima da taxa de 2,4% registrada em maio, o que indica um movimento de aceleração da inflação após um período de alívio de preços entre fevereiro e maio.

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A influência das tarifas sobre os preços

Economistas apontam que a alta no índice reflete os efeitos iniciais das tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump a partir de abril. Segundo analistas, essas tarifas começaram a afetar os preços apenas agora, uma vez que muitas empresas estavam operando com estoques adquiridos anteriormente, antes das novas alíquotas entrarem em vigor.

Na semana passada, Trump anunciou tarifas adicionais a partir de 1º de agosto para produtos importados de países como , México, Canadá, Japão e membros da . A medida aumenta a incerteza sobre a monetária americana e pode pressionar ainda mais os preços nos próximos meses.


Núcleo do CPI dos EUA também acelera

Excluindo alimentos e energia — componentes voláteis do índice — o núcleo do CPI dos EUA registrou alta de 0,2% em junho, após um aumento de 0,1% em maio. Na comparação anual, o núcleo da inflação atingiu 2,9%, mantendo o patamar observado nos últimos três meses.


Fed em compasso de espera

O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, tem como uma inflação de 2% ao ano. A atual leitura do CPI indica que o índice está acima da meta, o que reduz as expectativas de cortes na taxa de juros no curto prazo.

A ata da última reunião do Fed, realizada em 17 e 18 de junho, mostrou que apenas “algumas” autoridades monetárias consideram a possibilidade de reduzir os juros já na próxima reunião, marcada para os dias 29 e 30 de julho. A taxa de juros de referência está atualmente entre 4,25% e 4,50%.


Demanda fraca ajuda a conter serviços

Apesar da pressão inflacionária nos bens, custos relacionados a serviços como passagens aéreas e hospedagens se mantiveram estáveis ou com alta moderada, refletindo uma demanda mais fraca. Isso pode aliviar parte das preocupações com um surto inflacionário generalizado, segundo especialistas.


Impactos para os mercados

A leitura do CPI dos EUA influenciou os principais indicadores financeiros globais. Os índices futuros das bolsas americanas operavam de forma mista na manhã terça-feira, refletindo a incerteza sobre os próximos passos do Fed. Já o dólar apresentava leve valorização frente a outras moedas, enquanto os juros dos títulos do Tesouro norte-americano subiam levemente.

Para e analistas, o cenário permanece desafiador. A combinação de inflação persistente, novas tarifas e cautela do Fed aponta para um segundo semestre de alta volatilidade nos mercados.


Conclusão

O CPI dos EUA de junho confirmou a retomada da pressão inflacionária no país, após meses de alívio. Com a inflação em 2,7% e novas tarifas prestes a entrar em vigor, o Federal Reserve ganha mais um motivo para adiar qualquer corte de juros. A política monetária seguirá sendo o principal ponto de atenção para investidores e formuladores de política econômica nas próximas semanas.

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