O governo da Argentina autoriza exportações de gado e reverte proibição de 5 décadas, em um marco para o setor agropecuário, conhecido por seus cortes de carne bovina e churrascos tradicionais. A Secretaria de Agricultura anunciou a mudança nesta quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025, descrevendo-a como um avanço para “maior concorrência na cadeia de carne e gado”, alinhada à agenda de desregulamentação do presidente Javier Milei, que busca dinamizar a segunda maior economia sul-americana. Essa decisão reflete a visão libertária de Milei, que, desde 2023, tem promovido mercados livres e menos intervenção estatal na economia.
A medida complementa outras ações do governo, como o corte de impostos de cinco meses sobre exportações de grãos, anunciado em janeiro de 2025, para impulsionar as vendas externas. Com um rebanho de 53 milhões de cabeças, a Argentina autoriza exportações de gado para atrair mais divisas, essenciais para financiar importações e pagar dívidas externas em um contexto de inflação alta (270% ao ano) e recessão. Posts em X celebram o potencial econômico, mas também destacam preocupações com o impacto no consumo interno, mostrando o debate em torno dessa reforma histórica no setor pecuário.
Contexto histórico e impacto da decisão
A proibição de exportações de gado vivo, vigente desde 1973, foi inicialmente adotada para garantir o consumo interno e controlar a inflação, mas limitou a competitividade do setor pecuário argentino por décadas. Governos peronistas, como os de Cristina Kirchner, impuseram restrições, incluindo bans e cotas, o que reduziu o rebanho em mais de 10 milhões de cabeças entre 2007 e 2012, enquanto os preços domésticos subiram, afetando produtores e consumidores, segundo análises econômicas. A Argentina autoriza exportações de gado agora para reverter esse cenário, abrindo novas oportunidades para produtores e exportadores.
Essa decisão de Milei rompe com o intervencionismo estatal, mas enfrenta resistências, como preocupações de ambientalistas e pequenos pecuaristas sobre bem-estar animal e desabastecimento interno. A implementação, que começa em 27 de fevereiro de 2025, pode gerar conflitos, mas é vista como uma chance de modernizar a pecuária, promovendo cruzamentos genéticos e maior presença global. Posts em X mostram tanto otimismo quanto ceticismo, refletindo a polarização em torno da política de Milei e seus efeitos na economia argentina.
Exportações recordes e papel do setor agrícola
Em 2024, a Argentina exportou 935 mil toneladas métricas de carne bovina, o maior volume em um século, com quase 70% indo para a China, segundo dados oficiais, consolidando-se como o quinto maior exportador global, conforme o USDA. A decisão de autorizar exportações de gado vivo amplia esse potencial, aproveitando a demanda asiática para injetar mais divisas, estimadas em até US$ 1 bilhão anuais, fortalecendo as reservas cambiais do banco central. O setor agropecuário, que responde por 20% do PIB, é crucial para a recuperação econômica, gerando dólares vitais em um contexto de crise fiscal.
A Argentina autoriza exportações de gado como parte de uma estratégia maior, após eliminar impostos sobre exportações de carne bovina, suína e leiteira em 2024, além de grãos, para atrair investimentos e melhorar a competitividade. Associações rurais, como a Sociedad Rural Argentina, apoiam a medida, mas analistas alertam para a necessidade de monitorar o equilíbrio entre exportações e consumo interno, evitando pressões inflacionárias. A medida também pode inspirar outros países sul-americanos, mas enfrenta desafios globais, como críticas éticas às exportações de gado vivo.
Desafios e reações ao mercado
Grandes produtores e exportadores, como Marfrig e Minerva, celebram a Argentina autoriza exportações de gado, vendo potencial para novos mercados, especialmente na Ásia. No entanto, pequenos pecuaristas e frigoríficos temem que o foco nas exportações eleve os preços domésticos, reduzindo o acesso à carne, já em níveis baixos devido à inflação e austeridade de Milei. Posts em X mostram esse dilema, com alguns usuários alertando para o risco de desabastecimento, enquanto outros destacam benefícios econômicos, como modernização genética e geração de empregos rurais.
O governo argumenta que a concorrência na cadeia de carne trará benefícios de longo prazo, mas analistas apontam riscos de inflação e conflitos com setores dependentes do consumo interno, como restaurantes e churrascarias. A implementação inicial em 27 de fevereiro de 2025 será crucial para avaliar esses impactos, com o governo prometendo monitorar preços e bem-estar animal. Apesar das críticas, a medida é vista como um teste para a agenda econômica de Milei, enfrentando desafios como dívida externa e déficit comercial, mas com potencial de transformar o setor pecuário argentino.
Argentina autoriza exportações de gado: setor e a economia
A Argentina autoriza exportações de gado como parte da reforma econômica de Milei, que inclui cortes de gastos públicos, desvalorização do peso (50% desde 2023) e redução de regulações para atrair investidores. Para o setor agropecuário, a decisão alivia anos de restrições, mas exige ajustes para evitar desequilíbrios internos, como inflação e desabastecimento, enquanto foca em divisas para estabilizar a economia. A Klabin, concorrente no setor florestal, pode sentir indireta competição por recursos, mas a Petrobras, com prejuízo de R$ 17 bilhões no 4T24, também busca estratégias similares para exportações.
Em 2025, espera-se que as exportações de gado vivo gerem fluxo significativo de dólares, ajudando a reduzir a pressão cambial, mas a Klabin planeja desalavancagem com projetos como Plateau, enquanto a Petrobras enfrenta incertezas regulatórias. A sustentabilidade será um desafio, com metas ambientais pressionando o setor pecuário, mas a demanda chinesa pode compensar críticas globais. A Argentina autoriza exportações de gado como um marco econômico, mas sua eficácia dependerá de gestão cuidadosa, equilibrando crescimento e estabilidade interna.