A bolsa de valores brasileira encerrou o mês de agosto em forte alta. O Ibovespa, principal índice do mercado de ações no Brasil, avançou 6,28% no período, refletindo o apetite por risco com base em expectativas positivas no cenário político e nas perspectivas de corte de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
O movimento foi alimentado também pela prévia da inflação (IPCA-15) abaixo do esperado e pela pesquisa eleitoral AtlasIntel, que mostrou vantagem do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sobre o presidente Lula em um eventual segundo turno — um dado bem recebido por parte dos investidores.
No entanto, mesmo com o bom desempenho do índice, algumas ações registraram forte queda ao longo do mês. Veja os destaques:
As 5 maiores altas do Ibovespa em agosto
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Raia Drogasil (RADL3) — +30,29%
A gigante do varejo farmacêutico se destacou com otimismo em torno de resultados financeiros consistentes e expansão da sua operação. -
MRV Engenharia (MRVE3) — +27,56%
O ciclo de cortes na taxa Selic animou o setor de construção civil, beneficiando diretamente os papéis da construtora. -
Hapvida (HAPV3) — +26,13%
Ações da operadora de saúde dispararam após relatório do BTG sugerir potencial de valorização de até 68%, com foco renovado em crescimento e rentabilidade. -
Eletrobras (ELET3) — +23,99%
O mercado de ações reagiu positivamente à reestruturação da companhia, que avança em busca de maior eficiência. -
Minerva (BEEF3) — +22,06%
O bom desempenho das exportações de carne e o apetite por ativos do agronegócio impulsionaram os papéis.Outras ações que se destacaram positivamente, como: Rede D’Or (RDOR3): +21,11%, Marfrig (MRFG3): +17,04% e Magazine Luiza (MGLU3): +16,01%.
As 5 maiores quedas do Ibovespa em agosto
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Raízen (RAIZ4) — -17,61%
A produtora de etanol e energia renovável caiu com preocupações sobre margens apertadas e incertezas no setor de combustíveis. -
Rumo (RAIL3) — -12,03%
O mercado precificou riscos logísticos e desafios operacionais, pressionando as ações da companhia ferroviária. -
PetroRio (PRIO3) — -10,24%
O recuo no preço do petróleo e a realização de lucros após meses de valorização afetaram o desempenho da petroleira. -
Caixa Seguridade (CVCB3) — -9,75%
O papel caiu mesmo com fundamentos sólidos, em meio à rotação setorial que favoreceu ações de maior crescimento. -
Embraer (EMBR3) — -5,53%
A fabricante de aeronaves teve desempenho misto em agosto, com pressão por incertezas macroeconômicas globais. A venda de quatro aeronaves Super Tucano para o Panamá, estimada em US$ 80 milhões, reforça a presença da companhia no segmento de Defesa, conhecido por margens EBIT entre 15% e 20%.
Cenário para o mercado de ações
Com o avanço expressivo do Ibovespa em agosto, o mercado de ações entra em setembro com otimismo, mas também cautela. A expectativa por novos cortes na Selic e a possibilidade de flexibilização monetária nos EUA devem seguir no radar dos investidores da bolsa de valores.
Ao mesmo tempo, a aproximação do cenário eleitoral e a divulgação de indicadores como o payroll americano (dados de emprego) e o IPCA brasileiro serão determinantes para o comportamento das ações no curto prazo.
A valorização do mercado de ações em agosto também se deu em meio à reavaliação do cenário de juros. Com a Selic em 15%, o Brasil parece ter atingido o pico da taxa de juros, com possíveis cortes a partir de 2026, segundo analistas.
Nos EUA, o discurso mais dovish de Jerome Powell reforçou a expectativa de cortes de juros ainda em 2025. Isso tende a favorecer ativos de países emergentes, como o Brasil.
Diante de um cenário global mais favorável, queda de juros à frente e recuperação de setores estratégicos, analistas recomendam aumentar gradualmente posições na bolsa de valores brasileira, priorizando ações de maior duration e potencial de crescimento sustentável.
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