O cenário atual, com os juros no Brasil a 15% ao ano e nos Estados Unidos entre 4,25% e 4,50%, tem levado muitos investidores a questionarem se ainda vale investir no exterior. Aplicações locais atreladas ao CDI estão entregando até 111% do índice, o que pode parecer tentador. No entanto, concentrar toda a carteira no Brasil pode ser arriscado e pouco eficiente.
Segundo Rodrigo Sgavioli, head de Alocação da XP, “investir no exterior complementa o portfólio local e traz uma relação risco-retorno mais favorável no longo prazo”. Ele lembra que o Brasil é mais vulnerável a choques políticos e econômicos, o que aumenta o risco de manter 100% do patrimônio aqui.
Diversificação global é essencial
Além da instabilidade local, o mercado de capitais brasileiro representa menos de 2% do total global e é altamente concentrado em setores como bancos e commodities. Isso limita o acesso a setores com forte crescimento global, como tecnologia e inteligência artificial. Por isso, investir no exterior significa acessar ativos mais variados e promissores.
Outro ponto crucial é a proteção cambial. Com o real historicamente se desvalorizando frente ao dólar, ter parte dos investimentos em moeda forte ajuda a preservar o poder de compra do patrimônio no longo prazo.
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Quais ativos considerar ao investir no exterior?
Na renda fixa, os Treasuries dos EUA continuam atraentes, com retorno anual de cerca de 4,34% – e quando somados à valorização média do dólar frente ao real (8,8% ao ano), podem render até 13% ao ano. Mas Sgavioli alerta: o ideal é buscar títulos com duration entre 3 e 4 anos, devido ao aumento da dívida pública nos EUA e Europa.
Na renda variável, a recomendação da XP é manter 60% em ações americanas, com foco em setores ligados à inteligência artificial, e o restante em Europa e emergentes. Já Caio Teruel, da Cimo Family Office, destaca a importância de hedge funds dolarizados, que podem oferecer retornos positivos e descorrelacionados.
Quanto investir no exterior?
De acordo com a FGV, para neutralizar o impacto cambial no consumo do brasileiro, é necessário alocar entre 16% e 18% do patrimônio fora do país. A XP recomenda uma divisão clássica de 60% em renda fixa e 40% em ações para quem está começando a investir no exterior.
Riscos de investir no exterior
Como todo investimento, há riscos. Segundo Tomás Roque, da Avenue, os principais são:
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Liquidez: nem todos os ativos têm resgate rápido;
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Crédito: risco do emissor não pagar;
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Volatilidade: maior em renda variável e ativos prefixados.
Sgavioli ainda chama atenção para o aumento do endividamento global, o que pode afetar títulos de longo prazo. Mesmo assim, os benefícios superam os riscos, desde que o investidor tenha uma estratégia clara.