Incêndios em canaviais impulsionam SMTO3, JALL3 e RAIZ4 na B3; açúcar avança 4%

Os incêndios nos canaviais trazem um fator da alta nos preços; ainda é incerto o tamanho dos impactos na safra atual e no próximo ciclo
Incêndio em plantação de cana de açúcar em Dumont, SP, em 24 de agosto de 2024 Imagem: JOEL SILVA/REUTERS

Desde o final da semana passada, diversos canaviais em São Paulo foram atingidos por incêndios devastadores, o que tem gerado preocupações significativas em relação à safra 2024/2025 de açúcar na região Centro-Sul. Esses incêndios, que começaram em áreas do norte do estado, espalharam-se rapidamente, causando uma série de problemas, incluindo a suspensão de operações em importantes usinas e a interrupção de eventos esportivos devido à baixa visibilidade causada pela fumaça.

Na manhã segunda-feira (26), os preços futuros do açúcar com vencimento em outubro na Intercontinental Exchange US (ICE US) dispararam 4,08%, atingindo R$ 0,1914. Este aumento significativo nos preços foi diretamente impulsionado pelas incertezas geradas pelos incêndios.

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As ações das principais do setor sucroenergético também reagiram ao cenário de incerteza. São Martinho (), Jalles (JALL3) e Raízen () registraram altas de 4,84%, 1,18% e 0,92%, respectivamente, com a SMTO3 figurando entre os maiores destaques do Ibovespa.

Segundo Marcelo Di Bonifácio, analista da StoneX, os especuladores que estavam confortáveis com suas posições vendidas se viram obrigados a reavaliar suas estratégias à medida que os preços caíram para níveis abaixo de US$ 0,18. A notícia dos incêndios, somada às condições climáticas desfavoráveis e à alta do mercado, criou um ambiente propício para a reversão do ímpeto de venda, trazendo um novo fator altista para os preços.

Além dos incêndios, a alta do Brent, que subiu 2,8% para US$ 81,23 devido à escalada dos conflitos no Oriente Médio, também foi discutida como um possível influenciador dos preços do açúcar. No entanto, Bonifácio observou que, apesar das tensões no mercado de energia, a influência direta do petróleo nos preços do açúcar foi limitada, especialmente devido ao preço relativamente mais atraente do em comparação com o açúcar.

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Os incêndios já afetaram várias áreas importantes, incluindo Sertãozinho, onde a Raízen, maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, foi forçada a suspender as operações em sua planta. Outros locais atingidos incluem São José do Rio Preto, Olímpia, Piracicaba e Ribeirão Preto. Esses incidentes levaram o governo de São Paulo a declarar estado de alerta em 36 cidades e a mobilizar uma força-tarefa de emergência, incluindo o uso de aeronaves para combate ao fogo.

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, anunciou uma subvenção de R$ 100 milhões para seguro rural, com o objetivo de apoiar o afetado pelos incêndios. Ele destacou que mais de 20 mil hectares de lavouras já foram destruídos pelo fogo, com impactos significativos na produção de cana-de-açúcar e, consequentemente, na safra de açúcar 2024/2025.

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De acordo com relatórios recentes, o impacto total dos incêndios na produção de açúcar ainda está sendo avaliado, mas já há previsão de uma possível redução na estimativa de produção para a safra 2024/2025. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou a estimativa de produção de açúcar no Centro-Sul para 42 milhões de toneladas, uma queda em relação à previsão anterior de 42,7 milhões de toneladas, citando a redução dos rendimentos da cana-de-açúcar devido à seca e ao calor extremo que precederam os incêndios. Além disso, o Brasil já enfrenta um aumento nas queimadas em outras regiões, como o Pantanal e a Amazônia, que começaram mais cedo este ano.

Esses fatores, juntamente com a possibilidade de um declínio adicional na produção global de açúcar devido a problemas climáticos em outros grandes produtores, como Índia e Tailândia, criam um cenário de incerteza que continua a impulsionar os preços do açúcar. A expectativa é que o mercado permaneça volátil enquanto os impactos totais dos incêndios e das condições climáticas adversas continuam a se desenrolar.

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